Alagoas deu, nesta segunda-feira (17), um novo passo no seu processo de industrialização. Com a inauguração de unidade da Bauducco, uma das líderes de mercado em produtos forneados do Brasil, o estado entra num dos mais importantes segmentos da indústria, que é a produção de alimentos.

Com investimentos na ordem de R$ 60 milhões, a unidade instalada no município de Rio Largo, inicia com a geração de 100 empregos diretos e deve passar por um forte processo de ampliação nos próximos dois anos. A indústria vem se somar as dezenas de empreendimentos instalados no Estado nos últimos seis anos e meio.

Em entrevista ao CadaMinuto, o secretário de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Luiz Otavio Gomes, fala sobre o impacto da instalação da Bauducco para o Estado e comenta a atual conjuntura econômica alagoana.

O que significa a vinda da Bauducco para Alagoas?

Significa que mais um setor, desta vez o de alimentos e bebidas, passa a viver uma nova realidade em Alagoas. Contar com uma das marcas mais poderosas do País, líder em vendas, nos leva a crer que outras empresas deste porte passem a enxergar em Alagoas um local propício para fazer os seus investimentos. Vivemos em um momento em que a Cadeia Produtiva da Química e do Plástico e o setor de energias renováveis se consolidam cada vez mais. O nosso objetivo é diversificar essa economia, fazendo com que diversas cadeias sejam criadas, elevando assim a capacidade de captação de investimentos para o nosso Estado.

Como esse projeto se tornou uma realidade?

Ainda em 2008, a diretoria da Bauducco esteve reunida com o governador Teotonio Vilela Filho, no Palácio República dos Palmares. Naquela época, a empresa planejava instalar uma unidade fabril no Nordeste e estava mais propensa a escolher entre os estados da Bahia e de Pernambuco, maiores centros industriais da região. Após um trabalho intenso do Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande), que ofereceu todo o suporte necessário para os empresários, em 2009, a Bauducco lançava, no município de Rio Largo, a pedra fundamental da sua primeira fábrica no Nordeste. Nesses quatro anos, o Governo foi parceiro da empresa durante todos os processos que antecederam a inauguração da fábrica, que vai gerar 100 empregos diretos em sua fase inicial, injetando R$ 60 milhões na economia alagoana.

Quais os principais diferenciais competitivos para que um empreendimento como esse seja captado?

Primeiramente é importante salientar o processo de desburocratização implantado na Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal). Através da Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), o empreendedor pode instituir sua empresa em Alagoas no prazo máximo de 72 horas. A Redesim, dentre outras facilidades, oferece aos empresários a chance de acompanhar o fluxo de seus processos, com informações atualizadas de órgãos responsáveis pela fiscalização e liberação de licenças.

Não podemos deixar de falar do Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado de Alagoas (Prodesin). Em até 60 dias, todos os empreendimentos, turísticos e industriais, podem receber incentivos fiscais, creditícios e locacionais, os mais competitivos do País. Esses benefícios são concedidos pelo Conselho Estadual do Desenvolvimento Econômico e Social (Conedes), formado por entidades públicas e privadas, além de membros da sociedade civil organizada.

Qual a infraestrutura disponível no estado para receber esses empreendimentos?

Com o processo de desconcentração de investimentos, que faz parte da política de desenvolvimento econômico de Alagoas, estamos levando a infraestrutura adequada aos municípios, para que eles recebam pequenos, médios e grandes investimentos, como é o caso de Rio Largo, com a Bauducco. Em Marechal Deodoro contamos com o Polo Industrial Multifabril José Aprígio Vilela, considerado hoje o principal destino para grandes investimentos em Alagoas, em especial da Cadeia Produtiva da Química e do Plástico. Esse centro industrial conta com uma rede de abastecimentos de água, distribuição de gás natural e rede de energia elétrica com tarifas diferenciadas, além de ter uma proximidade com as principais empresas rodoviárias para transporte de carga. Outros importantes polos industriais são o Núcleo Industrial Bernardo Oiticica e o Polo Multissetorial Governador Luiz Cavalcante, que possui um grande número de empresas prestadoras de serviços logísticos, por conta da localização estratégica do Estado. No interior contamos com outros centros empresariais que atendem a diversos setores de nossa economia, proporcionando essa diversificação e desconcentração que tanto apostamos.

Essa é 78ª indústria inaugurada nos últimos seis anos e meio, a quinta nos últimos vinte dias. O que podemos projetar para o futuro?

Tenho total certeza de que o próximo governador do Estado encontrará uma estrutura adequada para que esse caminho continue a ser trilhado. A palavra chave para esse momento que vivemos é credibilidade. Esse é um mérito da atual gestão de governo, que se aproximou do setor empresarial local para identificar suas necessidades, reajustou suas finanças, criando mais capacidade de captar recursos, e retomou sua confiabilidade perante as instituições financeiras nacionais e internacionais, que oferecem ao Estado as chances de implementar políticas públicas que geram desenvolvimento, emprego e renda para os três milhões de alagoanos.