É evidente que o senador Fernando Collor(PTB-AL) modificou sua linha de ação política, desde o final do ano passado. Antes, o desempenho do mandato parlamentar vinha focado nos grandes temas de ordem institucional – a discussão sobre o parlamentarismo é um dado  –, e de assuntos presentes na pauta nacional, como as questões ambientais. 

                        É dele, por exemplo, a proposição para realização da Rio+20, que reuniu dezenas de chefes de Estado do mundo inteiro no Rio de Janeiro, no ano passado. Há ainda a artilharia voltada para o procurador geral da República, Roberto Gurgel, a quem o Collor já acusou de ser “prevaricador e criminoso” em diversos discursos no Senado Federal.

                          Nesses últimos seis meses, a pauta collorida modificou.

                           Ao assumir uma postura de oposição ao governo de Téo Vilela e criticar duramente as áreas de segurança, saúde e educação, o senador Collor pôs na ordem do dia o debate eleitoral e fincou a bandeira de oposição.

                          Como em política não há vácuo, o refluxo do velho “Chapão”, com Lessa, Renan, Almeida, Bomfim, Paulão e Collor, permitiu ao tucanato ocupar esse espaço, que é importante na democracia.

                          Com a decisão de Collor de partir para o embate com Vilela, foi naturalmente aberta a discussão sobre o processo sucessório. O Palácio não estava contando com essa antecipação, o que gera mal estar no epicentro do poder.

                          Queiram ou não seus adversários, Collor conseguiu o intento de resgatar o espaço oposicionista e chamar para si a responsabilidade de liderar esse território desocupado.

                           O resultado já se reflete em pesquisas de opinião. A da Falpe, que entabulou os dados colhidos em 14 municípios do Agreste alagoano, no fechamento do último mês de maio, mostra um Collor bem posicionado nas intenções de voto, tanto para governador quanto para senador.

                           É aí que reside o incômodo entre as forças políticas. Goste ou não de seu estilo, o fato é que não há como descartá-lo das definições majoritárias de 2014.

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