Ao decidir anular as investigações do inquérito policial- do caso Dimas Holanda- o Tribunal de Justiça usou pesos e medidas diferentes para histórias que deveriam ser iguais.

O procurador-Geral de Justiça, Sérgio Jucá, denunciou outros dois deputados, em crimes semelhantes. E o Ministério Público não pediu autorização, do tribunal, para investigá-los.

Marcelo Victor e Nelito Gomes de Barros foram acusados por Jucá de porte ilegal de arma de fogo. Nelito recebeu um salvo-conduto da Assembleia e a ação ficará congelada no TJ até que ele perca a imunidade parlamentar.

A Assembleia prepara a mesma bondade a Victor, o "Senhor das Armas" da Casa de Tavares Bastos.

Para o tribunal, as investigações contra João Beltrão só deveriam ter início quando o Ministério Público assinasse uma espécie de autorização. É quase um bilhete público pela impunidade. Afinal, são 16 anos de assassinato, longe de um desfecho.

O caso Dimas Holanda- assim como Paulo César Farias, Fábio Acyoli e tantos outros- nos ensinam que a sociedade alagoana não é simplesmente passiva diante do crime. As instituições públicas não estão preparadas- ainda- para lidar com quem tem fama ou dinheiro.

Há muitos segredos debaixo do chinelo. Quem cairia ou ficaria de pé em Alagoas?

E nem as representações de classe enfrentam os seus próprios fantasmas. A Associação dos Delegados de Alagoas se apressa em defender os delegados Osvanilton Adelino e Francisco Tenório- os dois acusados em crimes.

São os únicos delegados que precisam de defesa?

As associações dos policiais militares chegaram a defender- publicamemte- a tortura como método de trabalho na perifera de Maceió, uma incitação ao crime sem esconderijos.

E um PM foi assassinado na semana passada durante um assalto. Onde estavam as associações?

A "cara amarrada" mostra que os nossos dias de democracia são assim: muitos ainda defendem o indefensável.

E poucos aguentam passar a limpo suas próprias entranhas.