Um novo capítulo deve ser escrito envolvendo a polêmica situação do terreno de 50 hectares invadido no bairro da Santa Lúcia, em Maceió, por representantes de movimentos sociais e que tem a Construtora Lima Araújo como principal interessada. Desde a semana passada, o juiz Ivan Vasconcelos Brito Júnior, da 1ª Vara Cível da Capital, determinou a reintegração de posse favorável à construtora, mas os invasores resistem e permanecem acampados no local.

No entanto, toda essa questão deve ganhar outros caminhos devido a uma contestação sobre a veracidade da posse do terreno à construtora. A família de José Afonso de Mello [tio do senador Fernando Collor de Melo] e a Imobiliária Santa Lúcia Imóveis Ltda seriam os donos do terreno, numa divisão de lotes.

Ao CadaMinuto, o advogado Pelópidas Argolo, que representa os supostos novos donos, afirmou que a Construtora Lima Araújo foi a primeira a invadir o terreno. “Em 1995, houve a negociação de uma parte do terreno com a Construtora Lima Araújo. Porém, agora, ela afirma que é proprietária de uma outra parte do terreno, que pertence à família Afonso de Mello, bem como a Imobiliária Santa Lúcia, que é de propriedade da família”, disse.

Além da possível invasão, várias outras denúncias são feitas contra a Lima Araújo. Já existe um processo onde as partes travam na justiça uma batalha pela propriedade do terreno.

Com isso, enquanto a Lima Araújo teria conseguido, junto ao juiz da 1ª Vara Cível da Capital, Ivan Vasconcelos, a determinação para reintegração de posse, a família de José Afonso de Mello e a Imobiliárias Santa Lúcia aguardam os trâmites para proceder com a recuperação do terreno.

Jeferson Araújo, dono da Construtora Lima Araújo, disse ao CadaMinuto que desconhece a briga na justiça pelo terreno. “A justiça determinou a reintegração de posse e isso é uma prova de que eles analisaram o processo. Eles dariam um parecer como esse se uma pessoa ou empresa não fossem os verdadeiros proprietários do terreno. Qualquer outra situação, seja ele ou a família, se tiver direito, que busquem na justiça”, falou o empresário.

Famílias resistem a reintegração

Mais de 1.500 famílias pertencentes aos movimentos Via do Trabalho (MVT) e Luta pela Terra (MLT) continuam no terreno e afirmam que irão resistir a uma possível ordem de reintegração de posse do local, de acordo com Marcos Antônio Silva, o Marrom, porta-voz do Movimento MLT.  As famílias começaram a ocupar a área na segunda-feira (27) com o objetivo de conseguir casas para morar. Os líderes dos movimentos agrários iniciaram um cadastro dos interessados em adquirir um lote de terra no local.

São famílias de baixa renda que moram de aluguel, em casa de parentes e não tem dinheiro para comprar uma casa. O terreno, segundo Marrom, está abandonado há anos e os sem tetos querem que o governo se mobilize para resolver esta situação de forma pacífica

O representante das famílias disse que apesar de querer negociar com a construtora de forma pacífica sem ação policial, as famílias estão dispostas a resistirem caso haja uma ação de reintegração de posse. “É uma área desocupada. Estava abandonada. Estamos dispostos a negociar, mas lutar por esta terra”, afirmou Marrom.

Para tentar viabilizar a liberação da área para as famílias, o movimento preparou um documento que deve ser entregue aos representantes do governo estadual, prefeitura de Maceió e Ministério Público. “Queremos que as esferas do poder público participem dessa negociação. Também iremos nos reunir ainda hoje na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para que eles também fiquem cientes da situação e nos ajudem a solucionar”, afirmou.