Desde a Operação Taturana, a Assembleia Legislativa não conseguiu se reeguer junto a opinião pública alagoana. Os debates na Casa de Tavares Bastos- sobre uma "indústria de faltas" contra os deputados- servem para mostrar o tamanho do compromisso dos parlamentares com a realidade que cerca o terceiro estado mais pobre do Brasil- e o segundo com maior verba de gabinete em casas legislativas.
Não é exclusivo. Os parlamentos- assim como a democracia- estão em crise no mundo. Na Itália, os bancos- e não o parlamento- guiam os destinos da economia. Na Grécia e na Espanha, o FMI dita as coordenadas da democracia bancária. Essa nova talassocracia.
A Assembleia Legislativa não tem apenas deputados acusados em assassinato, formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro nacional ou roubo de energia elétrica. Há uma biblioteca funcionando no papel, gastos anuais de meio milhão de reais em reformas que não existem e compras fracionadas de material de escritório.
Tudo ilegal. Quem menos sabe- é claro- é o Tribunal de Contas do Estado, que deveria fiscalizar a Assembleia. O Palácio de Vidro também é formado por ex-deputados.
O parlamento afunda em suas crises. E serve para mostrar que, na Assembleia, o gasto com o dinheiro público é transparente: beneficia o bolso dos próprios parlamentares.
E parlamentar retirando dinheiro de parlamentar faz lembrar da rica paródia, adornada de estrelas, em nosso imaginário popular.