Se as eleições fossem hoje em Alagoas, este poderia ser o ano do sepultamento político de Fernando Collor de Mello (PTB). Quem diria: pelos mesmos marajás, antes peças de campanha do então candidato ao Palácio do Planalto na eleição de 1989.
 
A um ano e quatro meses da votação, o cenário está armado para afundar Collor quase que em definitivo no cenário local. Isso se a presidente Dilma Rousseff continuar com força política, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não alavancar nas pesquisas, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), não convencer ninguém sobre sua "terceira via" e – claro- Collor assistir ao seu fim em silêncio.
 
Na última semana, Dilma enviou a Alagoas o principal desarticulador da campanha do presidenciável Eduardo Campos: o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, – ele de olho na vaga de Campos ao governo.
 
Bezerra passou um final de semana em Alagoas: almoçou com o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Vilela é usineiro de açúcar e álcool; o mais petista dos tucanos (é só elogios à Era Dilma Rousseff) e rival de Collor na disputa ao Senado.
 
Fernando Bezerra é do PSB. E os socialistas estão no governo Teotônio.
 
Renan se diz aliado de Collor. Mas a presença da dupla só significa derrota. Em 2010, perderam o governo (Collor amargou o terceiro lugar); em 2012, os dois voltaram a perder, em Maceió.
 
Vilela lançou três candidatos à Prefeitura da capital. Os votos do maceioense se pulverizaram. E o xadrez funcionou. Venceu o tucano Rui Palmeira.
 
E o presidente do Senado ensaia o retorno ao ninho tucano, após o rompimento em 2007. Aliados de Renan foram demitidos por Teotônio por envolvimento na Operação Navalha.
 
A julgar pela movimentação de Fernando (Dilma) Bezerra, no Nordeste, Eduardo Campos não venceria a presidente. Mas incomodaria. E isso é o suficiente para que o PSB seja monitorado. 
 
E, após a visita do socialista-pernambucano-rebelde, Vilela passou a inflar o palanque de um usineiro-futuro socialista: o deputado federal Alexandre Toledo, que migrará do PSDB para o PSB de Campos.
 
Toledo é um dos homens mais ricos de Alagoas. O acordo é que ele seja o mais fiel dos campistas. E será.
 
A operação serve também para desarticular Collor: ele é candidato ao Senado, mas, em silêncio, o ex-presidente da República quer o governo, para- quem sabe- chegar ao Palácio do Planalto em 2018. Aos 69 anos.
 
Alexandre Toledo é preparado ao governo. Perdeu a última eleição a deputado federal. Chegou à Câmara como suplente, com a vitória de Rui Palmeira- carregada pelo governador-rival de Collor.
 
O usineiro não é o marajá do arquétipo colorido. Mas os usineiros alagoanos- quase todos ressentidos com Collor- querem dar o troco ao ex-presidente. Pelo passado e o presente.
 
O deputado federal João Lyra (PSD), pai de Thereza Collor, aliado desde sempre do ex-presidente, poderia ajudar- financeiramente- a tropa de choque colorida. Mas Lyra está falido e com uma dívida de R$ 2 bilhões. Seu império enfrenta um desmonte impressionante em Alagoas. 
 
A tática para encerrar a carreira de Collor está armada pelos tucanos. Um desconhecido Alexandre Toledo vai enfrentá-lo ao governo – se o ex-presidente tentar o Executivo. 
 
E se Collor sair ao Senado, como publicamente diz querer? Terá Teotônio Vilela Filho, aliado de Dilma, sem chance de fazer campanha contra Aécio Neves, pela frente.
 
Os marajás do passado são os usineiros de hoje. Prontos para transformar Collor em história. E só isso.
 
Mas essa é a estratégia do presente. E ainda falta a reação de Collor. Em 2008, ele venceu a eleição ao Senado em 28 dias de campanha. Hoje, sua tropa de choque está espalhada no Agreste e Sertão de Alagoas- redutos coloridos desde sempre- onde o ex-presidente impressiona ao chegar de helicóptero, sorriso aberto e citando Dilma e o Bolsa Família com intimidade.
 
E nunca o senador foi tão presente em Alagoas. Conversa com empresários, aperta a mão de vereadores, abre-se para a imprensa local. Um Collor 2.0.
 
O maior setor econômico de Alagoas tem o dinheiro. E Collor carrega sua caixinha de surpresas, no bolso.