Um acordo entre vereadores de Maceió transformou a saúde pública em objeto permanente de campanha eleitoral. A lógica perversa funciona assim: cada região administrativa é comandada por três vereadores.
 
A depender da região da cidade, um posto de saúde fica sob a direção de três vereadores. Eles indicam todos os diretores.
 
A ideia é controlar o acesso de cada pessoa ao Sistema Único de Saúde (SUS). Se o usuário quer acelerar um atendimento médico, deve procurar o vereador "dono do posto" na Câmara. A fila é grande e garante votos. O contrato de fidelidade é assinado sem papel e olha para o futuro: as urnas.
 
E se recusar o beija-mão? Vai para a fila do SUS. No PAM Salgadinho, quem não tem acesso a vereador dorme na fila.
 
O prefeito Rui Palmeira (PSDB) anunciou investimentos na saúde- incluindo construção de novos postos. Mas os diretores das regiões administrativas- indicados por vereadores desde a era Cícero Almeida- permanecem à frente dos postos.
 
Mês passado, conversei com um ex-vereador, agora assessor da Saúde. Sugeri que os atendimentos médicos via SUS- pelo menos na marcação nas consultas- fossem agendados. O modelo funciona via INSS ou Receita Federal (quem não lembra dos idosos morrendo nas filas da aposentadoria?) e até mesmo nos planos privados de saúde.
 
Ele mesmo colocou resistências na proposta- que nunca foi aplicada em Maceió. Afinal, o agendamento encerra a presença do vereador no imaginário popular do SUS.
 
O custo para encerrar a crise na saúde é alto.
 
Portanto, ao prefeito Rui Palmeira, mãos à obra.