Falar de humor nas redes sociais virou uma febre entre usuários de todas as idades. As páginas se multiplicam a cada dia principalmente no Facebook. Quem enxergou a possibilidade de lucrar e fazer a vida dentro desse novo nicho social, aposta nas criações e se dedica o quanto pode.

Entre os exemplos mais conhecidos de páginas de humor que viraram ‘negócio’ estão o perfil humorístico da presidente, o ‘Dilma Bolada’. A página criada por um estudante carioca de publicidade possui mais de 326 mil curtidores e ganhou pelo segundo ano consecutivo o prêmio Short Awards como melhor fake (falsa, em inglês) da internet.

O Dj Álvaro Rodrigues também ficou famoso ao criar o perfil da Irmã Zuleide. O personagem saiu das redes sociais e arrebata fãs em boates pelo Brasil nas discotecagens que Álvaro promove sob o codinome do personagem fictício.

O Cada Minuto entrevistou alguns criadores de perfis humorísticos do Nordeste que conseguiram um notável sucesso nas redes sociais e mostra quem já começou a ter lucro e transformou o que era brincadeira em um negócio sério.

Armaria, o bode de um milhão de curtidores

Começou como uma brincadeira para passar o tempo durante as férias entediadas. Deu tão certo que hoje é um dos maiores sucessos recente das redes sociais e ultrapassou no início de maio a marca de um milhão de curtidores no Facebook. No Twitter, são mais de 6 mil seguidores. Nem mesmo Breno Melo, criador do Bode Gaiato, diz acreditar que ia tão longe com suas ideias.

Natural de Recife, o estudante de engenharia elétrica atualmente mora em Caruaru e estuda em Campina Grande. Em meio à rotina louca de estudos, ele agora se dedica a fazer contatos com interessados em anunciar na página, analisar propostas e dar entrevistas pelo Nordeste para falar do sucesso de sua página. Na última terça-feira (14) ele contou com exclusividade ao Cada Minuto como Dona Zefinha e Junin surgiram e os planos para o futuro próximo.

“Quis criar um personagem nordestino que fosse diferente nas piadas. Aí achei que colocando um animal ficaria mais engraçado. Fui pesquisar, achei uns bodes e comecei a criar as frases. Coloquei o ‘gaiato’ por ser uma expressão regional bem conhecida, que representa alguém engraçado. Deu certo”, conta.

No começo, conta Breno, as postagens tinham um humor mais forte, que foi sendo dosado quando surgiram os bodes Zefinha, Junin e agora mais recentemente, Ciço. “Como vi que agora tenho um público diferente e que muitos dos novos curtidores são pais das pessoas que começaram a curtir o bode, equilibrei o conteúdo”, disse.

As piadas são em sua maioria de situações cotidianas. Quem é nordestino ou mora na região, tem mais facilidade de se encaixar nas situações. “Criei Dona Zefinha para ser a mãe de Junin e tentei me aproximar bastante da mãe de pessoas que eu conheço. O pessoal gosta muito dela também”, explicou.

O sucesso conseguiu ultrapassar a região Nordeste e segundo Breno, muitas pessoas de outros cantos do país começaram a gostar do Bode pernambucano. “Tento abranger ao máximo o conteúdo e notei que pessoas de São Paulo e outros estados estão interagindo conosco”, comemora.

Para o futuro próximo, ele disse que tem projetos em andamento e está discutindo outras propostas para dar mais visibilidade ao Bode Gaiato. “Não posso dar detalhes dos projetos, mas o que posso adiantar aos internautas é para que esperem um conteúdo mais inovador com mais personagens e bordões”, destacou o estudante.

Um olhar mais ‘ ordinário’ de Maceió

Vídeos, memes, tirinhas e tudo mais que tiver como pano de fundo algum lugar de Maceió com uma pitada de humor. Essa fórmula deu tão certo que hoje o Maceió Ordinário ganhou reconhecimento entre os internautas e virou o ganha pão de Diogo Moreira. Caminhando como outros perfis de sucesso, o perfil ganhou rentabilidade e fez Diogo largar o antigo emprego para se dedicar exclusivamente ao perfil.

“Está dando certo e decidi investir mais na ideia. Já recebemos convites de empresas para fazer alguns trabalhos, participar de palestras e estamos crescendo. Espero que continue assim”, comemora.

Além de Diogo, outras quatro pessoas integram a equipe que produz o conteúdo, monitora o que está acontecendo em Maceió e pensa nas postagens. “Mesmo assim, recebemos muitas sugestões, que sempre dão muito certo”, afirma.

A criatividade e o bom humor são o diferencial para falar de assuntos cotidianos como o trânsito caótico da Fernandes Lima, as ruas que alagam quando chove na capital e da violência. Diogo, que é estudante de publicidade, contou pra nossa reportagem que sempre teve vontade de fazer um perfil em uma rede social que tratasse de humor. Depois de algumas tentativas, constatou que falar de ‘humor das coisas da terra’ daria certo. E deu. Hoje são 90 mil curtidores da página no Facebook e mais de três mil no Twitter. Por semana, as postagens do Facebook tem um alcance de 500 mil pessoas.

“Eu comecei com o Maceió Ordinário no Twitter, mas migrei para o Facebook e vi que lá era mais fácil de arrumar curtidores. A primeira postagem foi antes do ano novo, em dezembro de 2011e tivemos 400 compartilhamentos. Depois começamos a crescer falando de coisas da cidade e hoje ampliamos as ideias com o blog que leva o mesmo nome, onde temos outros conteúdos, como Gifs [várias imagens compactadas em uma só], vídeos e textos maiores”, explica.

Como não poderiam faltar, quatro personagens foram criados, três deles são memes (caricaturas) de figuras políticas do estado, que consolidaram ainda mais o sucesso. “O pessoal gosta muito do Le Ciço, o primeiro criado, o Le Téo, agora o Le Rui e o Jonathan Atitude Garotão. Sempre que tem postagem com eles, o alcance é grande”, conta.

Outra vertente forte do perfil é a utilidade pública. Diogo conta que muitos internautas procuram a equipe para pedir ajuda para encontrar pessoas desaparecidas, outras que precisam de doação de sangue, denunciar problemas de infraestrutura nos bairros, entre outros. “Acabamos também ajudando a imprensa. Sempre divulgamos algum material que acaba virando notícia como no caso de pessoas desaparecidas ou acidentes pela cidade”, afirma.

Alagoano com alma de britânico

Um sujeito que gosta de caminhar pela orla da Pajuçara, tirar fotos em sua câmera analógica Lomo e assistir um filme, de preferência Francês, no Cine Sesi. Esse é o Hipster Alagoano, outro perfil de humor que anda fazendo bastante sucesso no Facebook com suas postagens criativas.

Ser Hipster virou um movimento cultural. O termo define um grupo de pessoas que resgatou vários elementos da moda, da música, literatura e cinema de décadas passadas e trouxe para a atualidade com toques modernos. A ideia de criar o personagem partiu da estudante de engenharia ambiental Nathália Nascimento, de 21 anos. Apesar de ainda não gerar lucro como outros perfis famosos na rede, a página criada por ela no Facebook já possui mais de 8 mil curtidores.

Os assuntos abordados são os mais variados possíveis: lugares, pessoas da terra, situações cotidianas, entre outras. O Hipster, explica Nathália, surgiu em agosto de 2012. Como tantos outros criadores, a vontade de produzir um conteúdo humorístico nas redes sociais foi o grande motivador. A inspiração acabou vindo dos próprios amigos.

“Eu ficava olhando o que meus amigos gostam de fazer, vi que muitos deles tinham esse perfil hipster, observei o dia-a-dia da cidade. Aí veio a ideia de criar um perfil de um cara nordestino que queria ser inglês. Chamei um amigo que mexia com Photoshop para me ajudar nas criações e começamos a fazer as postagens. Depois ele teve que sair e agora outros dois amigos colaboram com o conteúdo”, contou.

Parte das sugestões enviadas por internautas também viraram conteúdo da página. “Já fui convidada para tocar em algumas festas, mas ainda não apareceu nenhuma empresa com um perfil do hipster para fazer parcerias. Não ‘puxamos a sardinha’ pro lado de ninguém e isso acabou virando nossa marca registrada”, afirmou.