Na quinta-feira passada, 23, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), concedeu uma longa entrevista - de aproximadamente 30 minutos - ao programa Fique Alerta. Basicamente o tema central foi a segurança pública. Vilela - que se comparou a um samurai defendendo um saco vazio - busca responder as críticas mais ferrenhas feitas ao Poder Executivo.
A pauta da segurança pública - e os dados alarmantes - encurralaram o governo do Estado, que tenta responder e não consegue. A propaganda das velinhas foi um tiro no pé. Resultou em protesto. O samurai tucano reconhece que os números são vergonhosos, mas diz que a situação já foi bem pior. Lembra uma antiga propaganda do governo, há muito tempo que dizia: “bom não está, mas...”.
Ao falar de segurança pública, Vilela reconheceu que é um tema preocupante. Citou o recente encontro de governadores do Ceará para colocar que é uma questão universal. “O tema era sobre seca Discutimos 20 minutos sobre seca e 1h30 sobre violência. É nacional, mas claro, temos que cuidar de Alagoas”, salientou.
“A minha preocupação é como governador e como cidadão. Atuamos de todas as formas possíveis. Procurei o governo federal, coloquei a situação. Há 12 anos o Estado vivia uma curva ascendente em relação aos casos de homicídio. Em 2007, registramos 60 mortos por 100 mil habitantes. Após o Brasil Mais Seguro - e até mesmo desde antes! - estancamos, mas ainda está num patamar muito alto, mas está declinando”, mostrou a sua visão sobre o assunto o chefe do Executivo estadual.
Ainda na óptica do tucano, as polícias estão cada vez mais motivadas. Não é o que se ouve de associações e sindicatos...
Teotonio Vilela Filho ainda coloca que o Estado reduziu o número de homicídios. Ainda assim, digo eu, longe de poder comemorar acendendo velas. “Reduzimos, mas o índice é altíssimo. Tivemos 12% de redução, mas ainda nos deixa em um patamar muito elevado”. O governador demonstrou interesses na valorização da política das bases comunitárias. De acordo com ele, uma ação de resultado efetivo que deve ser ampliado.
“Teremos 20 novas bases comunitárias em Maceió e seis no interior do Estado”. Ainda nesta questão, Vilela disse que tem tido uma parceria com o atual prefeito Rui Palmeira (PSDB). “Rui Palmeira tem demonstrado vontade muito grande de parceria. A Prefeitura Municipal vai ceder terreno para base comunitária, incentivar a guarda municipal. Enfim, um cordão envolvendo escola, atividades artísticas. Ocupar o jovem de forma produtiva”, salientou.
É a análise de que a violência hoje em Alagoas tem raízes no tráfico de droga e nas mazelas sociais. Construção histórica. O governador-samurai também pretende ampliar o Brasil Mais Seguro - que já recebe suas críticas na forma como é aplicado - para outras cidades. Atualmente, o programa contempla Maceió, Rio Largo, Marechal Deodoro e Arapiraca. “Assim que tivermos mais policiais, ampliaremos”.
E o “assim que tivermos mais policiais” é a porta para o lamento das dificuldades financeiras do Estado e o impedimento de mais ações em virtude disto, segundo o governador. “Com dinheiro para bancar, a gente coloca gente nova. Mas, há dificuldade financeira”.
E eis que entra em cena o samurai, quando o assunto é o cobertor curto: “é muita demanda para pouco recurso. Às vezes eu me sinto como um samurai, com a espada na mão, defendendo um saco vazio. Porque Alagoas tem 3 milhões de habitantes e o governador precisa tomar conta do Estado todo”.
Aqui, um pequeno resumo. Claro que em trinta minutos de entrevista (aproximadamente) há muitos outros temas. Ao leitor que escute o chefe do Executivo e faça o juízo de valor sobre os rumos que o governo tem tomado, sua celeridade de ação, prioridades e - evidentemente - dificuldades. É isso!
As declarações de Vilela repercutiram nas redes. Golbery Lessa - do PCB - frisou: “ele não tem um projeto de Estado e de economia que apontem para a superação dos problemas essenciais de Alagoas. Nessa circunstância, o saco fica vazio para o povo e o cheio para uma pequena elite social e política”.
O ex-conselheiro federal e advogado Pedro Acioli - que vem “colecionando” dados do governo com pedidos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) - ainda destacou: “ao gestor compete dentro da realidade que se afigura procurar atender as demandas que a sociedade tem. Ademais, se a escassez de recursos fosse tão presente, não promoveria gastos de recursos públicos - quase R$ 16 milhões - com coisas coimo locação de jatos e helicópteros para seu deslocamento, nem tampouco insultaria a inteligência dos alagoanos com propagandas institucionais dispendiosas”.
Citei dois casos aqui, para ilustrar alguns comentários que chegaram sobre o assunto.
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