No quarto dia de julgamento sobre o caso das mortes de Paulo César Farias e da namorada dele, Suzana Marcolino, o primeiro depoimento foi do perito gaúcho Domingos Torchetto, que defende a tese de duplo homicídio e não homicídio seguido de suicídio, contestando o laudo elaborado por Badan Palhares e sua equipe.
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Antes de sua explanação, a defesa dos quatro militares que sentam no banco dos réus chegou a pedir que o perito Domingos Torchetto não fosse ouvido sob a alegação de que ele teria se reunido com o promotor Marcos Mousinho para tratar de detalhes do depoimento. José Fragoso disse que, o depoimento, seria prejudicial ao julgamento. No entanto, o juiz Maurício Brêda indeferiu o pedido afirmando que eles foram convocados para prestar esclarecimentos sobre o laudo confeccionado por ele.
Ao falar sobre a tese de duplo assassinato, Domingos Torchetto apresentou aos jurados detalhes de seu trabalho em Alagoas durante as investigações do caso. O perito disse que a missão de sua equipe foi analisar a arma e se havia resíduos metálicos de pólvora nas mãos de Suzana e PC Farias.
O médico afirmou que seu laudo comprovou que a primeira perícia foi falha por constatar erroneamente vestígios de pólvora nas mãos de Suzana Marcolino. Nas mãos da vítima, foram encontrados alumínio, enxofre, cloro e potássio, e nenhuma dessas substâncias estava contida na pólvora da arma.
Ele explicou aos jurados que a primeira equipe usou água mineral que estava em cima da mesa para molhar o algodão no momento de realizar o processo para detectar se havia pólvora na mãos das vítimas. O correto, aponta ele, seria usar água destilada, porém alegaram que não dispunham desse material no momento.
O primeiro laudo acusou que nas mãos de Suzana foi encontrado nitrito. Mas o médico esclareceu que essa substância é encontrada em vários matérias, inclusive em cigarros. PC e Suzana eram fumantes. Dos quatro elementos encontrados nas mãos de Suzana, três deles estavam na água mineral. E nas mãos de Paulo César Frias foram encontrados os quatro elementos.
O alumínio apontado pela análise poderia estar contido na própria água usada na primeira perícia. "O projétil é composto de chumbo, bário e antimônio e nenhuma dessas substâncias foi encontrada nas mãos de Suzana e PC. A falta desses elementos comprova que o primeiro exame realizado não foi correto", explicou Torchetto.
O perito ainda demonstrou no tribunal, com uma arma semelhante, possíveis maneiras de ela ter disparado o tiro praticando suicídio. "Se ela tivesse atirado com a arma próxima ao corpo, teria jorrado sangue, mas não foi encontrado sangue na arma nem nas mãos dela. Também não foram encontrados vestígios de pólvora, o que comprova que ela não empunhou a arma que aparece na cena do crime", contestou.
O juiz Maurício Brêda questionou o medico se pelos laudos realizados, haveria a possibilidade de mesmo assim considerar um suicídio. Ele descartou a hipótese. "Pelos testes que realizamos, não existe hipótese de suicídio. Nos testes não foram encontrados nenhum vestígio de pólvora e se ela tivesse atirado, porque não tinha vestígio de sangue na arma?", constatou.


