Atualizada às 12h30

O segundo médico legista a prestar esclarecimentos sobre o laudo emitido pela equipe da Unicamp foi Daniel Munõz. A versão apresentada pelo perito reforça a tese apresentada por Domingos Torchetto, de que Suzana não se suicidou e depois matou PC. Ele defendeu que Suzana possivelmente teria tentado se defender do tiro por apresentar vestígios de resíduos nas mãos.

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Ele relembrou que a perícia foi solicitada à época pelo juiz Alberto Jorge para esclarecer alguns pontos das perícias anteriores, que eram divergentes e possuíam contradições técnicas. Munõz, Torchetto e os outros peritos realizaram uma contra perícia a fim de esclarecer se houve um homicídio seguido de suicídio ou se foi um duplo homicídio. "O pedido do juiz foi claro. Ele não queria opiniões, ele queria provas técnicas. E foi o que fizemos", contou aos jurados.

Ele explicou que os primeiros peritos colheram pedaços de pele da mão de Suzana para a pesquisa de tiro. Essa equipe concluiu que havia maior concentração de resíduos na região da palma da mão do que no dorso. "Pelas manchas, eles concluíram que Suzana atirou contra o corpo. Porém essa forma de pegar [o perito segurou a arma contra o peito] a arma é improvável que os resíduos fiquem mais concentrados na palma da mão", explicou aos jurados.

Ele reforçou afirmando que não havia possibilidade de Suzana ter atirado contra o próprio corpo. Para ele, a maior concentração de resíduo na palma da mão comprova que ela estaria com as mãos próximas da arma numa posição de defesa, reforçando duplo homicídio. "Se fosse tiro suicida, ela teria encostado a arma em uma região letal. O orifício jamais ficaria desta forma se ela tivesse encostado o revolver no corpo", explicou.

Munõz e Torchetto realizaram uma filmagem com uma câmera de alta velocidade para ver a trajetória do tiro e constataram que um suicídio não seria possível pela ocorrência de esfumaçamento e que o orifício feito pelo disparo não ser aquele pela distância. "Tiro suicida é com a arma encostada. Quando vamos ao local do crime e vemos um tiro em que a arma não estava encostada, considera-se homicídio", afirmou.

O perito explicou também que a distância do disparo não estava de acordo com o halo (Termo técnico pra orifício causado pelo tiro) no corpo de Suzana e que o tiro em PC foi além de 75 centímetros, comprovando se tratar de um homicídio.

O médico legista questionou também o motivo de não ter sangue na arma. A primeira perícia afirma que se deu por conta do recuo da arma logo após o disparo. Em testes realizados pela equipe de peritos da Unicamp, o mecanismo de recuo da arma é mais lento que o refluxo de sangue, o que derruba a tese da equipe de peritos alagoanos. "Os testes apontam que no caso de um disparo feito a 3cm do corpo, deveria ter sangue nas mãos de quem deu o tiro", afirmou o médico.

Estatura de Suzana 

O perito mostrou aos jurados com a ajuda de uma funcionária do júri a posição em que supostamente Suzana teria sido morta. Pelas perícias realizadas, os médicos concluíram que Suzana teria 1.57m de altura. Eles também realizaram na época uma reconstituição com uma moça da mesma altura e na posição indicada pelos primeiros peritos. Eles constataram que não havia coincidência do trajeto da bala com Suzana tendo levado o tiro sentada.

"Se ela estivesse sentada na cama, o tiro teria pego no colchão. Fomos fazendo análises com a figurante levantando. Para a trajetória ser a apontada pelo laudo, Suzana recebeu o tiro quando estaria se movimentando em cima da cama [na foto ela aparece num movimento de se levantar ou sentar na cama, quase agachada]. Concluímos que ela estava levantando da cama no momento em que recebeu o tiro. Isto é um forte indício de homicídio. Ela estaria em posição de defesa no momento que levou o tiro", afirmou.

E o perito finalizou dizendo que "concordamos com o laudo da primeira equipe que comprova que foi homicídio. Não existe prova nenhuma de que ela atirou contra o PC. As provas que foram apresentadas pela primeira equipe de que Suzana teria se suicidado não se sustentam tecnicamente. Comprovamos aqui que é improvável ela ter se suicidado. Nos autos não existem provas técnicas que atestem suicídio dela", constatou o médico legista.