Atualizado às 15h27.
A perita criminal Anita Buarque prestou depoimento, na tarde desta quarta-feira (08), no julgamento do Caso PC Farias. Anita foi a primeira perita a chegar à casa de praia do tesoureiro da campanha de Fernando Collor à presidência da República. Ela relatou ao juiz Maurício Brêda o que encontrou quando entrou na residência.
“Cheguei e entrei pela parte que tem acesso pela rodovia. Encontrei o secretário de segurança da época, coronel Cavalcante, e Augusto Farias. Subi uma rampa e o coronel abriu a janela, vi os corpos na cama. Analisei a cena do crime, fiz a primeira perícia no local realizando os primeiros levantamentos com anotações e fotografias. Ficamos na casa até mais ou menos meia-noite”, afirmou a perita.
Anita relatou que, após os levantamentos, concluiu que Suzana matou PC e, em seguida, cometeu suicídio. Sobre a cena do crime, ela garantiu que nada foi mexido no local. "A cena do crime foi preservada", frisou. Em relação à possibilidade de duplo homicídio, apontada por um segundo laudo, Anita disse que essa hipótese não poderia ter acontecido.
“Não havia vestígios de uma terceira pessoa na cena do crime”, colocou a perita.
Teste nas mãos
Anita colocou que fez exames nas mãos de Paulo César Farias e Suzana Marcolino com um reagente. O teste, contou Anita, deu positivo para a presença de nitrato, substância presente na pólvora, nas mãos de Suzana, o que indicaria que ela fez uso de arma de fogo. Nas mãos de PC, Anita afirmou que nada foi detectado.
A perita disse, no entanto, que o exame foi feito com água mineral cedida por uma pessoa da casa de PC e não com água destilada ou soro, como é recomendado para uma maior precisão no resultado.
Esclarecimento
Nivaldo Gomes Cantuária, perito criminal arrolado pela acusação e pela defesa, esteve no Fórum para prestar esclarecimentos e tirar algumas dúvidas sobre o laudo produzido à época do crime.
O perito confirmou que esteve no local do crime para realizar a pericia criminal, recolhendo vestígios para fazer os estudos. “Ao chegar na casa fiz medições, recolhi vestígios e relacionei os elementos que por ventura foram recolhidos para exames complementares.”, disse o perito.
“Algodao embebido em água destilada ou soro fisiológico. Isso se esfrega nas mãos das vítimas e se leva para estudos. O resultado é imediato. Quando aparece a colocação cereja confirma a presença de pólvora, resultado este encontrado nas mãos de Suzana Marcolino e obtendo resultado negativo nas mãos de Paulo César Farias”, afirmou Nivaldo Cantuária.
Sobre o laudo perito concluiu que a cena se tratava de homicídio seguido de suicídio.
No local do crime os peritos utilizaram água mineral Perrier, de origem francesa, que estava na casa de PC Farias para fazer os exames nos corpos, destacou o perito. “Até a época e posteriormente ao fato o exame era considerado confiável, mas depois do fato da morte de PC Farias ele começou a ser considerado de resultado duvidoso e atualmente não é mais utilizado, porque poderia dar um resultado de falso positivo”destacou Cantuária.
“O manuseio de alguns enlatados, queijo e outros alimentos podem dar um resultado positivo. Hoje se utilizam outros meios para isso”, destacou o perito.
A presença de componentes como bário, chumbo e antimônio nas luvas epidérmicas é que determinam que a pessoa efetuou um disparo arma de fogo, revelou o perito criminal.
