Depois da polêmica que cercou o caso da morte da estudante Bárbara Regina, a direção da Polícia Civil, através do delegado geral, Paulo Cerqueira, participa de uma reunião na manhã desta terça-feira (07), na sede do Ministério Público, com o Procurador Geral, Sérgio Jucá, para pedir o apoio do órgão na fase final e conclusão do inquérito da morte da estudante há oito meses.

O CadaMinuto apurou que a reunião acontece nesta manhã e a pauta principal será o pedido do delegado geral da PC, Paulo Cerqueira, para que o Ministério Público Estadual forme uma comissão de promotores para atuar na fase final e conclusão do inquérito da morte da estudante.

Além da comissão de promotores, outra medida será tomada pelos promotores. Interrogar novamente Tiago Handerson de Oliveira Santos, testemunha que contou o possível envolvimento de Bárbara Regina com Vanessa Ingrid, acusada de várias mortes e que teria ordenado a morte de Bárbara Regina por débitos referentes à prostituição e drogas.

Participaram da reunião o Procurador Geral do Ministério Público, Sérgio Jucá, o Delegado Geral da Polícia DCivil, Paulo Cerqueira e o diretor da Polícia Judiciára Metropolitana, José Carlos Reis.

Este último, mencionou a parceria entre PC e MP, para finalizar esse inquérito com a prisão de um dos principais envolvidos. “Só sossegaremos quando prendermos o Otávio que pode dar informações importantes para as investigações”, afirma o delegado Carlos Reis.

Sérgio Jucá, por sua vez recebeu a solicitação e prometeu participação incisiva do Ministério Público no caso. "Vamos nos empenhar ao lado da Polícia Civil para que esse crime seja totalmente esclarecido”, afirmou o procurador Sérgio Jucá.

CASO E DEPOIMENTO

A jovem, que desapareceu no dia 1º de setembro do ano passado ao deixar uma boate na Ponta Verde, havia se viciado em cocaína e adquiriu uma dívida com sua aliciadora. Por muito tempo foi pressionada para pagar a quantia, mas não ‘honrava’ o compromisso. Por conta disso, Vanessa Ingrid decidiu matá-la.

E foi com a ajuda de Otávio Cardoso e seu amante Genilson dos Santos, conhecido como ‘Ninho’, que Vanessa Ingrid planejou o assassinato. Otávio é o jovem que foi visto deixando a boate ao lado de Bárbara e serviu como isca para a aliciadora. Segundo relatos da testemunha, Otávio aceitou participar da armadilha – seguida do assassinato – e receberia como pagamento 50 gramas de ‘britch’ (termo usado para cocaína), o que equivale a mil reais em dinheiro.

Na boate, Otávio se aproximou de Bárbara. Os dois beberam e consumiram drogas. Em seguida, o rapaz deixou a casa de shows acompanhado da garota que achava que lucraria com mais um programa. No entanto, ao sair do local, eles entraram num carro onde estavam Vanessa e Ninho.

Os quatro seguiram até Rio Largo, onde esquartejaram e aos poucos foram queimando o corpo da jovem, para não ficar vestígios do assassinato. A princípio, a ideia de Vanessa era matar e enterrar o corpo da garota de programa num cemitério particular, que atualmente está desativado e é localizado numa fazenda em Messias.

A testemunha contou ainda à polícia que, antes de agir, Vanessa Ingrid sempre se consultava com um pai de santo conhecido como Mildert, que mora no Conjunto Benedito Bentes. Era ele quem dava o ‘aval’ para que ela cometesse os assassinatos, apontando se havia riscos para ser descoberta e presa. Em agradecimento no caso de Bárbara Regina, a assassina presenteou o pai de santo com um bode e uma caixa de cerveja, que seriam utilizados para fazer um ‘trabalho’.

REAÇÃO DA FAMÍLIA

Após a coletiva da Polícia Civil, que confirmou o envolvimento de Bárbara Regina com Vanessa Ingrid, com o caso dado como esclarecido, a família da estudante mostrou toda a sua revolta em uma entrevista ao CadaMinuto.

“Essa história não tem fundamento algum. A Bárbara não conhecia essa menina e não andava com gente maloqueira. É muito estranho a Polícia apresentar essa versão dois dias depois da desembargadora cobrar a elucidação do caso”, indagou a avó, Tereza de Jesus.

Tereza ainda foi mais dura ao afirmar que a família e a própria polícia sabem que matou a jovem e criticou a ação do Secretário de Estado de Defesa Social, Dário César. “Nós sabemos quem mandou matar a Bárbara e a Polícia também. A Polícia e o Dário César estão recebendo muito dinheiro para deixar essa pessoa impune. Pode avisar ao Dário César que lá em casa não tem ninguém que come capim não. Eles estão inventando uma história que não fundamento nenhum. A Bárbara só andava como gente da classe média alta, por ser que essas pessoas não prestem, mas ela nunca se envolveu com ninguém da ralé”, finalizou