As críticas ao trabalho do secretário de Defesa Social, coronel Dário César, são necessárias e salutares. As críticas só existem porque as corregedorias das polícias não têm forças de retirar, de dentro de si, a própria banda podre, como se todo PM ou policial civil tivesse de comprovar, sob estresse, que seu trabalho segue a orientação legal, diferente de alguns outros "protegidos". 
 
É injusto nivelar todo policial na vala comum da podridão.
 
Também Dário César não é o responsável pelo fracasso do plano Brasil Mais Seguro. Sem a ajuda de todos os agentes do próprio Governo- em apoio às polícias- nenhum plano de segurança tende a funcionar.
 
No Iraque, Bush imaginou que a paz seria imposta pelas armas. Os efeitos são conhecidos. No Rio e em São Paulo, a paz das armas não assusta o crime organizado. 
 
Somente um plano de segurança que inclua os excluídos dará certo em Alagoas. É convencer a população que o serviço público funciona a contento: ruas iluminadas, limpas e calçadas. Ações sociais para retirar, da precariedade, milhares de alagoanos vítimas da dívida (impagável) dos usineiros. Escolas funcionando regularmente, postos de saúde abertos e atendendo às pessoas.
 
Serviços mínimos para quem recebe quase nada.
 
O maior inimigo de Dário César está dentro do Governo. Ou até mesmo na Polícia Civil. Um delegado, acusado de torturar um menor, volta a atuar na região norte de Alagoas, local onde ele mesmo tem atuação vastamente conhecida. É o "dono" do lugar, como muitos acreditam. 
 
Veja-se a tentativa- insana, para não dizer nada além disso- da PC em jogar, no lixo, a condição de vítima da estudante Bárbara Regina- agora uma prostituta, garota de programa e viciada em drogas. 
 
A decepção ao trabalho de Dário pode ajudar a mudar, a partir de agora, os rumos da Defesa Social. Do contrário, Dário e alguns delegados virarão personagens de cordel. Destes que o folclore ajuda a rir.
 
Ou a chorar.