No dia do julgamento dos quatro militares acusados de matarem PC Farias e Suzana Marcolino há 17 anos, o depoimento da irmã da vítima, Anna Luiza Marcolino, é um dos mais esperados. A parente da namorada do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Melo deve sustentar a tese de que Suzana e PC foram assassinados e diz não acreditar na alegação sustentada pela defesa dos réus.

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Em entrevista à TV Pajuçara, na manhã desta segunda-feira (06), a jornalista disse que nunca acreditou que a irmã teria sido a responsável pelas mortes, já que não havia motivos para essa atitude. “Conhecíamos muito bem a Suzana e não tem como avaliar uma atitude dessa vinda de uma pessoa tão próxima e que não teria motivos para matar o PC e em seguida cometer suicídio. A acusação diz que minha irmã estava se dando bem, como ela ia se matar?”, questionou a jornalista.

Anna Luiza Marcolino também comentou as especulações sobre uma suposta namorada de PC Farias. Segundo a jornalista, a ‘namorada arranjada’ era amiga de Suzana. Ela ainda negou que a irmã tenha conhecido o ex-tesoureiro por meio de uma cafetina.

Questionada sobre a arma utilizada para o crime pertencer a Suzana, a irmã é taxativa na resposta. “Não sabemos nada sobre essa arma. Foi algo muito bem armado, um caso policialesco que só acontece nos livros. Suzana era uma pessoa sonhadora, imatura e pode ter sido levada por alguém para adquirir esse revólver. Ela não tinha essa mentalidade’, respondeu a irmã da vítima.

Durante todo esse tempo, a família de Suzana se preservou quanto às investigações e por medo, decidiu deixar Alagoas. Anna Luiza garantiu que o silêncio foi preferido porque não havia conhecimento da família sobre o que realmente aconteceu na trágica noite de 23 de junho na casa de praia em Guaxuma.

“Essa história foi uma bomba que destruiu tudo lá em casa. Contribuímos como podíamos, mas o que se entende é que existe uma força muito grande, do mal, para que nada seja esclarecido. Quem fez e tem mentalidade intelectual para fazer isso, sabe que destruiu uma família”, desabafou Marcolino.

A jornalista deixou claro que acredita que a morte da parenta ainda tem muitas interrogações e segundo ela, ‘existe uma força muito grande do mal para que nada seja esclarecido’ e falou sobre a ‘arma do medo’ que está apontada desde então para a cabeça da família. “Tem medo e tive que sair de Alagoas para conseguir viver. Esse medo é por não saber com quem estou tratando. Quem fez essa devassa na minha vida. Mas se algo acontecer a mim tem referência a esse crime”, desabafou.

Sobre as expectativas do julgamento, Anna Luiza Marcolino se limita a pedir que a justiça seja feita. “Queremos dignidade do esclarecimento porque isso não é apenas uma questão da família, mas social e política. O povo brasileiro e alagoano ainda acredita na seriedade da justiça e que ela será feita. Mesmo assim qualquer resultado não vai reparar o mal, que atingiu a todos nós. Espero que se faça valer a verdade. Independente, vamos continuar vivendo, sabendo que as injustiças vão acontecer, até que nesse país se retome a seriedade. A sociedade merece uma resposta não só referente a esse crime, mas todos os bárbaros acontecem no país”, finalizou.