O senador Benedito de Lira (PP) - que não esconde de absolutamente ninguém o seu desejo de disputar o governo do Estado de Alagoas - sabe da árdua tarefa para consolidar o seu projeto. Já disse isto neste espaço, inclusive.
Benedito de Lira tem o partido em suas mãos e é o “governável” da legenda em Alagoas. Porém, ninguém é candidato de si mesmo! Benedito de Lira precisa articular um grupo, que lhe garanta apoio e uma boa “avenida” para entrar na disputa.
Nestes quesitos, o senador Renan Calheiros (PMDB) - sendo ele o candidato ou, como tudo indica, colocando outro nome na disputa - larga na frente de Benedito de Lira. O que faz então o pepista: busca espaço em setores do PT - partido este tão ligado ao PMDB, aqui e alhures - e constrói um caminho que o leve para próximo do senador Fernando Collor de Mello (PTB).
Seria, Benedito de Lira e Fernando Collor juntos, com apoio de parte do Partido dos Trabalhadores. Lira para o governo do Estado; Fernando Collor para o Senado Federal. Eis a aposta. O detalhe é: quanto mais próximo de Collor, mais distante do atual governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).
Os dois foram aliados em 2010 - quando Vilela se reelegeu - e Benedito de Lira sempre esteve junto da atual gestão do governador de Alagoas. Leia-se: influência na Assistência Social e até recentemente na Educação. Nos discursos, Benedito de Lira já anda distante de Vilela, como se pode observar em sua visita ao município de Rio Largo.
Agora, Benedito de Lira articula uma proximidade com o Partido dos Trabalhadores. Para o senador pepista, uma forma de tornar mais sólida a parceria com Collor. Benedito de Lira terá muito, mas muito mesmo!, trabalho caso queira - de fato! - ser candidato ao governo do Estado, como grita aos quatro cantos.
Renan Calheiros segue desenhando sua plataforma de forma cautelosa. Mostra a força de um PMDB que pode ter várias alternativas em múltiplos cenários. Inclusive, com a possível candidatura do deputado federal Renan Filho ao Executivo. Renan Calheiros é um grande enxadrista político.
Já Vilela, é o silêncio em vida quando o assunto é eleições. O governo do Estado acumula críticas e os adversários estão sabendo utilizar muito bem as pífias respostas do Executivo estadual à questão da violência. O PSDB - por sua vez - não tem outro nome para o Senado Federal: ou é Vilela; ou é Vilela. Diante desta conjuntura, saindo candidato à cadeira de senador - no embate com Fernando Collor - o vice-governador José Thomaz Nonô pode acabar sendo o candidato palaciano mesmo!
Como se vê, a política faz amizades profundas e desinteressadas, não é mesmo?
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