O mandato aparentemente tranquilo na Assembleia Legislativa esconde um inferno político na carreira do deputado Joãozinho Pereira (PSDB).

É que, na semana passada, o vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, desembargador federal Edilson Pereira Nobre Júnior resolveu levar adiante um recurso, do Ministério Público Federal, que acusa o parlamentar de crime contra as telecomunicações.

O assunto parecia adormecido. Afinal, o TRF havia julgado a denúncia improcedente. Pereira é acusado de exploração, clandestina, de serviços de radiodifusão.

Mas, o vice-presidente do tribunal resolveu aceitar um recurso especial do MPF- contra a decisão judicial e acordou uma fera que parecia dormir para sempre. Pereira, aliás, responde a uma outra ação- esta mais grave: improbidade administrativa, movida por um insistente Ministério Público Federal.

Segundo o MPF, Joãozinho Pereira explorou, de forma clandestina, serviços de radiodifusão sonora, em FM, e transmissão de TV na cidade de Teotônio Vilela- celeiro eleitoral do parlamentar.

Até janeiro, o deputado era beneficiado por decisões da Justiça. Um ofício da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concluiu que a potência máxima dos equipamentos usados na cidade (33,4w), não prejudicava outros meios de telecomunicações.

Além disso, segundo a decisão judicial, não era possível comprovar que o deputado era o responsável pelo funcionamento ou gestão da estação de rádio e retransmissão de TV.

Joãozinho Pereira é o "líder dos sonhos" do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), na Assembleia Legislativa.

E o persistente silêncio dele parece ser uma resposta ao que vem por aí, no Judiciário.