O senador Fernando Collor de Mello (PTB) vai se fazer presente no seminário no qual o também Renan Calheiros (PMDB) será a principal estrela e palestrante.
O seminário será realizado na cidade de Santana do Ipanema – no dia 10 – e faz parte de um projeto do senador peemedebista. De acordo com informações de bastidores, parte dele a ideia e o incentivo à organização.
Mas, ainda bastidores, para dar caras de uma frente “suprapartidária”, quem assumiu o papel de promotores do evento foram Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e União dos Vereadores de Alagoas (UVEAL).
Serão vários seminários. Em várias localidades que servem de polos para as microrregiões do Estado. O tema do primeiro: “Alagoas: Realidades e Perspectivas”.
Diante da reunião ter sido convocada pela AMA e UVEAL, questionei se para este debate também seria chamado o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Afinal, é um tema de interesse do Estado e – aparentemente! – não faz parte de uma bandeira política, mas de um evento que busca soluções. Não que tenha obrigação de convidar, mas só pelo tema envolver área de interesse do Executivo estadual, suponho! Vai saber o que interessa o governo entre tantos problemas que Vilela parece não dá conta.
Se for um projeto político e de construção de um programa de oposição, tem todo o direito de ser. É legítimo, mas desde que assim seja posto. Afinal, trata-se de honestidade intelectual para com o cidadão, para com o eleitor. E AMA e UVEAL são instituições que devem estar acima da disputa política que ronda o Estado, pelo bem delas! Possuem autonomia.
Pois bem, falei com o coordenador da UVEAL na região onde ocorre o seminário, o vereador por Palmeira dos Índios, Júlio Cezar (PSDB). Ele classificou a presença do governador como importante. Disse que pediria à entidade para que convidasse o tucano.
Mas, não será desta vez que Vilela será convidado, mesmo tendo sua importância reconhecida por um dos coordenadores da UVEAL. O evento suprapartidário se restringe – ao menos no primeiro evento – aos principais opositores. O senador Benedito de Lira (PP) também não está na lista e – apesar de distante! – ainda é parte do atual governo. Seria interessante também, apesar de não haver obrigação de convite.
Júlio Cezar explicou. Disse que falou com Hugo Wanderley (PMDB) – que é presidente da UVEAL – e que se trata de um evento regional da entidade com apoio da AMA e que cada edição terá um debatedor convidado. Esta não é a vez de Vilela. Negou que haja bandeiras políticas na organização do seminário. “Perguntei isto ao Hugo Wanderley. Ele negou ser esta a intenção. Seria um erro, mas não é isso”.
Entendam: a presença de Vilela não é fundamental. Mas, se é um seminário organizado pela AMA e UVEAL, suprapartidário, e com o foco em perspectivas para mudar a realidade de Alagoas é natural que se cobre a mudança e se debata com quem mesmo? Como entidades, seriam buscados os senadores, os deputados, prefeitos, vereadores e o governador, além da população em si e seus reclames. E não ser seletivo a uma uníssona visão de projeto de poder. Mas, aqui fica só uma humilde análise!
No mais, a rodada de debates parece mais um projeto político de fortalecimento de um grupo que pretende concorrer o governo do Estado (o que é legítimo – ao meu ver – desde que assim fosse posto; repito), que necessariamente um evento da AMA ou da UVEAL.
AMA
Recebi informações da Associação dos Municípios Alagoanos sobre o tema. A AMA – conforme Assessoria – entendeu a tese aqui levantada. Ou seja: entende que em momento algum questiono a autonomia da entidade, nem que digo que ela é obrigada a convidar alguém.
A AMA não é! Nem pode ser! O questionamento é sobre o que de fato o evento é e sobre quem organiza o que. Está lá, acima, escrito. Como está escrito que o convite não é obrigação! Confronto versões de bastidores, com as oficiais. A ida do governador não é fundamental, óbvio. Se a AMA quiser, não chama! Óbvio. A pergunta que faço é: Vilela e outros nomes de situação não foram chamados pelo fato do evento ser plataforma para um projeto político? Simples assim!
A resposta da AMA é que o movimento é suprapartidário. Logo, aberto a todos os membros de todos os partidos, entidades e movimento sociais. Ou seja, assume a postura de que não faz parte de um projeto político apenas. Importante posição. Responde sem subterfúgio a algo que palpita nos bastidores. E quem é honesto intelectual sabe que palpita, ora bolas!
Ora, é com a posição de estar fora de um mero projeto político rumo ao Palácio República dos Palmares – seja ele azul, vermelho, amarelo, roxo, colorido, enfim... – que a AMA assume autonomia e abre uma discussão em busca de solução para os problemas graves dos municípios; e não o contrário. Por isto questionei algumas presenças e ausências. O mesmo vale para a UVEAL em relação a sua autonomia.
O presidente da AMA, Marcelo Beltrão, pelo que senti da resposta oriunda da assessoria de imprensa, entende isto! “A AMA segue independente de partido, sigla ou agremiação. O presidente Marcelo Beltrão tem dito sempre que é apartidária”, coloca a assessoria.
Repito: salutar que assim seja! Uma entidade – para ter autonomia – não pode estar a serviço de projeto A ou B, seja ele vermelho, roxo, azul, ou amarelo (repito). A AMA entendeu o questionamento que fiz e se posicionou justamente sobre ele.
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