Familiares de Lucivânia Marques da Silva, 30 anos, acusam um médico plantonista do hospital São Vicente de Paula, que fica em União dos Palmares, de não prestar os atendimentos necessários à paciente. Ela morreu dias depois no Hospital Geral do Estado (HGE) com um quadro de infecção.

A denuncia foi feita pelo marido da paciente, José Matias de França ao CadaMinuto. Ele contou que Lucivânia, começou a apresentar problemas após realizar consultas com o médico Cláudio Jorge.

Após exames que constataram a presença de cistos e um mioma no ovário, o médico receitou alguns remédios e a paciente começou a sentir dores e a expelir um líquido preto junto com sangue. Ela deu entrada no hospital São Vicente, no dia 28 de março. A paciente foi submetida a uma cirurgia no mesmo dia, pelo mesmo médico, porém as dores continuaram.

“Dois dias após o procedimento ela continuava a reclamar de dores fortíssimas na barriga. Uma sobrinha que estava a acompanhando no hospital, foi olhar o que estava acontecendo com ela e viu que sua barriga estava roxa na região do abdômen e que ela apresentava mau cheiro”, contou o marido.

A família afirma que o médico disse que o quadro dela era normal e que teria que esperar mais 24 horas para poder tomar uma decisão. O médico chegou a dizer que seria melhor transferi-la para o HGE, mas que não havia risco de morte.

Ela foi transferida para o Hospital Geral do Estado, em Maceió, no dia 30 de março. A diretora administrativa do hospital São Vicente disse à nossa reportagem que Luciivânia foi transferida para Maceió com o abdômen distendido, dores na região e pressão baixa. Ela passou 18 dias internada e realizou outras três cirurgias, mas não resistiu e acabou morrendo.

O prontuário do Hospital Geral confirma que ela deu entrada na unidade com o abdômen distendido, febre e um quadro de infecção, que foi contraída após a cirurgia para retirada do útero, dois dias antes, na unidade médica de União dos Palmares.

O caso era considerado grave, já que se tratava de um quadro de sepse, que é uma infecção grave. Os médicos do HGE realizaram um novo procedimento cirúrgico, chamado laparatomia exploradora, que consiste na abertura do abdômen para detectar as regiões afetadas pela infecção e limpar coágulos. Após passar alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Lucivânia não resistiu e morreu.

“Quando soube que minha esposa tinha morrido, liguei imediatamente para o doutor Cláudio para dizer que se ele tivesse sido mais eficiente, minha esposa teria sobrevivido. A culpa foi dele por ver que o quadro dela era grave e não ter feito nada”, desabafa Matias.

A diretora administrativa do Hospital São Vicente de Paula disse que está ciente do fato e que a unidade vai apurar se houve alguma irregularidade no atendimento da paciente. “Já começamos a fazer o levantamento dos servidores que trabalham no hospital e que atenderam a paciente. Se houve irregularidades, vamos resolvê-las”, garantiu.

O marido comunicou o fato à polícia e o delegado Waldecks Pereira disse que iria investigar o caso. Ele disse ainda que enviou uma carta ao Ministério da Saúde relatando o fato e cobrando providências para a morte de Lucivânia.

O médico não foi encontrado por nossa reportagem para comentar a denúncia.