Dia 1º de maio, Dia do Trabalhador. Teoricamente, um dia para se comemorar os feitos, a manutenção de um trabalho, do sustento e dos benefícios que cada classe trabalhista proporciona a sociedade. Porém, os principais serviços prestados a população são deficientes e os servidores públicos deixam claro a insatisfação e falta de motivos para comemorar nesta data, onde o feriado será de atos de protesto.
Cada classe tem em comum a sua reclamação referente a reajustes salariais, planos de cargos e carreiras, condições de trabalho. Várias classes sindicais estiveram reunidas fazendo um protesto, na manhã desta quarta-feira (01), no Posto 7, praia de Jatiúca. Percorrendo a orla da capital, o grupo foi puxado por um trio elétrico. Muitas faixas, cartazes e frases de protesto chamavam a atenção de quem passava pela orla.
EDUCAÇÃO
Na educação, o tema reajuste salarial é recorrente. Mesmo com acordos, propostas e contra-propostas sendo feitas, assembléias pelo sindicato, ameaças e confirmações de paralisações são freqüente. O maior prejudicado é a comunidade escolar.
Diante de mais um dia do trabalhador, o Sinteal deixa claro que não existem motivos para comemorar. “Será mais um dia de luta, dia de protesto. Não podemos parar. Todos podem ver a guerra que vivemos para conquistar os nossos direitos”, disse Consuelo Correia, presidente do Sinteal.
A cobrança por reajustes salariais e a melhoria na estrutura das escolas por todo Estado continua, mas, o que está em destaque, é a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) por parte do governo.
Apesar de ter sido uma conquista, a classe cita a frustração pela aprovação não ter sido da forma como havia sido colocada em votação, já que foram alterados sete artigos do projeto de lei, que prejudicou os benefícios que seriam dados aos servidores mais antigos.
SAÚDE
Junto com a segurança pública, a saúde tem sido um dos grandes problemas em Alagoas. Há cinco meses em greve, a categoria presencia a demissão em massa de funcionários, que se mostram totalmente insatisfeitos e revoltados com os salários pagos no Estado.
Para se ter idéia, o piso nacional de um médico gira em torno de R$ 10.412,00, no nordeste o valor base é de R$ 5 mil, mas, em Alagoas, o comum é sejam pagos R$ 1.528,00 aos médicos da rede pública.
De acordo com o presidente do Sindicatos dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão, a situação chegou ao seu limite e a tendência é que a saúde pública no Estado sofra uma intervenção federal.
“A única coisa que funciona em Alagoas é a comunicação. O pessoal trabalha e mente muito. Parece que ta tudo perfeito, tudo funcionando e não está. Há dez anos não temos concurso público, médicos se aposentando, outros pedindo demissão. Vai chegar o momento em que não haverá profissionais para atender o público, infelizmente”, disse.
Diante dos problemas de estrutura e pessoal, as denúncias de descaso, negligência e principalmente de mortes que poderiam ter sido evitadas nas unidades de saúde pública, o sindicato tem sido vítima de processos, com os profissionais sendo presos.
“A culpa de tudo isso é do governador. Se ele é responsável pela gestão e a administração pública não faz nada para mudar, a culpa é dele. Agora, vem o Ministério Público cobrar ao sindicato. isso não existe. O MP também tem culpa. Porque não fiscaliza a falta de ações do governo para corrigir erros?”, finalizou.
SEGURANÇA PÚBLICA
Mesmo com a implantação do “Plano Brasil Mais Seguro”, através da Secretaria Nacional de Defesa, chefiado em Alagoas pela secretaria Regina Miki, o Estado tem entrado em listas negativas, de cidade mais violenta do Brasil e uma das mais violentas do mundo.
Por outro lado, o governo divulga a redução de crimes violentos, criando discussões entre as Policiais Civil e Militar e principalmente a sociedade, que volta e meia realiza protestos por todos os cantos do Estado.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), Josimar Melo, deixou clara a insatisfação com a gestão do executivo e aponta as falhas cruciais. “Reajuste salarial que estamos sempre brigando, punições que não deveriam ser aplicadas foram aplicadas a agentes e servidores do administrativo, por conta de protestos, fechamento de delegacias, volume de crimes. Tudo isso é motivo para a situação se encontrar assim”, disse.
O líder sindical apontou o fechamento do 1º, 3º e 22º distritom que foram levados para a Central de Polícia, além de continuar cobrando a retira de presos das delegacia do interior, deixando clara a impossibilidade de investigar e manter a segurança dos detentos.
A prova recente disso, foi a fuga de quatro presos da delegacia de Santa do Mundaú e 14 presos da delegacia de Delmiro Gouveia, ocasiões onde agentes da Policial Civil ficaram na mira de bandidos, que ainda levaram as armas da unidade.
CUT
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), fazendo a sua função de apoiar as categorias, iniciou na tarde da última terça-feira as atividades em alusão ao dia do trabalhador. No Centro da Cidade, foram realizadas uma caminhada e panfletagem no calçadão do Comércio para alertar os comerciários sobre seus direitos, como duração da jornada de trabalho, folgas e pagamento de horas extras.