O número de ações impetradas na Justiça decorrente da má elaboração de editais de concursos público em Alagoas tem aumentado com os últimos certames. Os dados são sustentados pelos advogados Nataniel Ferreira, Rodrigo Monteiro e Thiago Mota, que se tornaram especialistas na área.

Segundo os advogados, os candidatos aprovados nas provas objetivas são lesados por erros contidos nos editais e eliminados em outras etapas, como aptidão física, exame psicotécnico e outros. O fato tem se repetido em vários concursos, entre eles o da Polícia Civil, Polícia Militar, e da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT).

Ferreira afirma que grande parte do problema existe porque alguns editais não respeitam a Constituição Federal gerando eliminações indevidas de candidatos do concurso. Como exemplo, Ferreira citou o caso de uma candidata do concurso da PM, que por estar grávida e não poder realizar o teste físico na data estipulada pelo edital quase foi eliminada.

“Excluir uma candidata do concurso por estar grávida, seria punir a mulher pela benção da maternidade, o que fere a proteção dada pela Constituição a mulher e a maternidade", observou Ferreira.

 Sobre o tema, o advogado Mota afirmou que o edital de um concurso deve ser elaborado de forma a buscar o candidato mais capaz para o cargo, mas deve respeitar os benefícios concedidos pela Constituição para gestantes e deficientes físicos.  “O Supremo Tribunal Federal já se manifestou através de inúmeras decisões no sentido de conceder a máxima proteção possível para candidatas gestantes e deficientes físicos”, enfatizou.

Monteiro traz a importância da cautela na elaboração dos editais."Eles são tido como a lei do concurso, mas não podem sobrepor-se à Constituição Federal ou contrariar as decisões do Supremo Tribunal Federal, nem dos demais órgãos da justiça", frisou.

Monteiro coloca que atenção na elaboração de uma edital para concurso é fundamental, principalmente ao que versa sobre a eliminação dos candidatos, pois eliminações arbitrárias geram uma tempestade de ações judiciais que prejudicam a todos.

“Todo edital passa pela Secretaria de Gestão Pública, no caso dos concursos estaduais, vindo a ter um parecer da Procuradoria do Estado, validando ou não o concurso, sendo encaminhado após aprovação do Governador para publicação em Diário Oficial. A Justiça de Alagoas já integrou nos quadros de agente de trà na SMTT um candidato deficiente físico, que havia sido eliminado do concurso. Hoje encontram-se em tramitação vários processos questionando o teste físico do referido concurso, servindo de parâmetro para os processos em curso", disse Monteiro.