Auditoria de uma empresa independente aponta que a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) acumula prejuízos financeiros ano a ano e quase bilionários. E reacende o debate sobre as condições da estatal em gerir o Canal do Sertão, quando estiver concluído.
A Casal acumula um prejuizo de R$ 782,7 milhões, R$ 14,5 milhões apenas registrados no ano passado.
A auditoria foi feita a pedido da Casal. O resultado saiu esta semana, sob assinatura da empresa carioca Lopes e Machado. O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) recebeu cópia do relatório.
Apenas se confirma um desejo antigo: internamente, setores do Governo defendem a privatização da estatal. Publicamente, o governador mantem silêncio quanto ao tema.
Pelos números, o discurso da privatização parece ganhar força. Até 31 de dezembro do ano passado, a Casal tinha uma insuficiência de capital de giro de R$ 186,1 milhões.
"Estes fatores levantam dúvidas quanto à sua continuidade operacional e indica a necessidade de obtenção de rentabilidade futura/e ou a necessidade de ingresso de recursos sob a forma de capital e/ou financiamento de longo prazo", dizem os auditores Mário Vieira Lopes e Eliel Torres da Mota.
O futuro da Casal também está ligado ao futuro da maior obra hídrica de Alagoas: o Canal do Sertão, que será administrado pela companhia.
A gigante do setor hídrico alagoano tem os seguintes números. Veja alguns:
- Atende a 75 cidades ou 300 localidades;
- Leva água a 1,5 milhão de pessoas (metade do Estado).
- Em 2012, fechou com uma receita de R$ 209,1 milhões, que é 9,74% a mais que em 2011. E, apesar do prejuízo anual, registrou um crescimento de 5,39% em seu faturamento, comparado a 2011.