Os primeiros rabiscos, as primeiras escritas, os primeiros ensinamentos são repassados na sala de aula, com os professores sendo os mestres que ajudam a nortear o caminho a ser seguido. É na escola que as crianças formam os laços de amizade, iniciam os conhecimentos sobre a grandeza da vida e ainda mergulham no fantástico mundo da imaginação. 

As lições produzidas no quadro negro ficam registradas em cadernos e são ratificadas nos livros, com as mais diversas histórias e que as fazem conhecer as peculiaridades de cada disciplina conhecida durante o passar dos anos. 

Mas esse aprendizado vai muito mais além do que a exatidão da Matemática, a viagem às terras antigas na História ou ainda o conhecimento da genética da vida pela Biologia. A verdadeira escola tem a função de trabalhar na conscientização dos estudantes, desde simples atitudes de comportamento como a forma com que se relaciona com o meio ambiente. 

Atualmente, o mundo é movido por ações que garantam a sustentabilidade e girem em torno do bem comum. É preciso considerar a preservação da natureza como um dos pontos primordiais a ser discutido dentro do contexto social, seja de uma empresa privada, escolas ou órgãos públicos. 

Em Alagoas, as ações sustentáveis começaram a ser disseminadas dia após dia. E é justamente para trabalhar com aqueles que são descritos como 'o futuro do país' que cada vez mais as redes de ensino pública ou privada desenvolvem essas ações ligadas à conscientização. 

Escola mobiliza alunos para juntos pensarem no amanhã

Na Escola Estadual Maria Ivone Santos de Oliveira, localizada no Conjunto Eustáquio Gomes e que dispõe turmas do 6º ano ao 9º ano, o projeto denominado 'Escola Sustentável e Com-Vida' surgiu com o objetivo de construir uma visão de Educação Ambiental na qual cada membro da comunidade escolar possa sentir-se incluído, percebendo-se como parte fundamental do meio ambiente e estabelecendo relações pedagógicas nas questões de sustentabilidade. 

O primeiro passo veio após os conhecimentos adquiridos fora dos limites de Alagoas. Em 2010, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE) selecionou sete escolas que levariam representantes para participar de um curso de capacitação na cidade de Paconé, em Cuiabá. A cidade foi escolhida por sediar uma escola que vivencia a sustentabilidade e que se tornou modelo para o país inteiro. 

A unidade é auto-sustentável, pois tudo que eles produzem é consumido, economizando a verba pública. Utilizam a natureza de modo inteligente e que vai resultar no que eles precisam, nos produtos para a subsistência da escola. A horta cultivada pelos próprios estudantes oferece uma série de condições à escola de sobreviver.

A professora de biologia foi a enviada especial e lá conheceu como funciona e como é tratado o tema sustentabilidade desde ações desenvolvidas com os estudantes até mesmo como o assunto pode ser discutido em sala de aula. 

Mas a escola não se deu por satisfeita e queria ainda mais. Um curso online promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul contou também com a representação da unidade pública de Alagoas, a única a concluir e continuar levando adiante todos os aprendizados. O curso trazia todos os pontos preponderantes sobre sustentabilidade, desde a parte teórica até a abordagem das questões vivenciadas na escola em Paconé. 

A diretora Celi Barbosa conta com bastante entusiasmo o carinho com que abraçou a causa para dar uma nova roupagem à escola. "Para se implantar a sustentabilidade na escola há toda uma discussão ideológica porque isso é uma mudança de paradigma. É preciso entender que você enquanto uma pessoa que vive em sociedade, as tuas atitudes vão refletir na vida do outro. A ideia de sustentabilidade que a escola trabalha é essa, um compromisso de um com o outro e de um trabalho articulado onde cada um cumpra com sua função, que é melhorar a vida de todo mundo", relata.  

Foi em 2011 o ponto culminante da ação com a implantação do projeto. A chegada de novos alunos provocou um efeito de destruição no local, onde salas de aula foram danificadas, assim como carteiras e toda a parte elétrica. Bastou um mês para a escola ficar totalmente depredada. 

As situações de indisciplinas dos alunos, os permanentes conflitos por questões banais e a falta de compromisso com a escola exigiram dos profissionais da educação a busca imediata de soluções para o caso. Estava nascendo o projeto 'Gerando Ação'.

"Vimos que era preciso tomar atitude, pois não havia recursos para repor tudo. Pensamos nessa gincana, onde a equipe era formada por alunos e os professores ficavam responsáveis. Eles se comunicavam para um objetivo em comum: recuperar as escolas. Conseguimos recuperar 90% das salas, já que houve muito engajamento dos alunos. Fizemos esse trabalho de conscientização e mostramos que é preciso agir não pensando apenas em si, mas no que ficará para gerações futuras", relembra a diretora. 

Produção de sabão, reaproveitamento e reciclagem: o meio ambiente agradece!

Ser o vento que move o moinho. Ser a onda que leva a canoa. Ser o sol que aquece a terra. Ser a chuva que molha a lavoura. A proporção que os resultados eram obtidos, a escola começava a procurar novas ideias para acrescentar na identidade dos estudantes. A lanterna que foi acesa começava a iluminar o túnel da esperança e mostrava que os caminhos antes traçados se tornavam uma realidade.

Com uma abordagem prática e teórica, as turmas foram protagonistas de ações para cuidar da escola. Palestras, oficinas de reaproveitamento, mutirões de limpeza (denominado de Dia T - 'todos pela escola'), assim como a amostra de uso sustentável no processo de energias alternativas deram força a iniciativa.  

Uma das ideias foi promover cursos onde produtos antes desperdiçados pela comunidade se transformariam e, renovados, ganhariam uma nova finalidade. A oficina de sabão foi a primeira colocada em prática. "No Dia das Mães fizemos uma atividade reunindo alunos e suas mães que receberam ensinamentos de como reaproveitar o óleo de cozinha e transformá-lo em sabão. Uma forma de mostrar que muitas coisas que vão para o lixo poderiam ter outras utilidades. Os estudantes também participaram e puderam entender melhor a palavra 'sustentabilidade'", disse a diretora que também promoveu ações referentes ao reaproveitamento de alimentos. 

As oficinas seguiram integrando as ações pedagógicas da escola e sempre são ministrada aos sábados, fazendo parte do projeto escola sustentável. Durante as atividades de datas comemorativas, a escola começou a produzir objetos com materiais recicláveis, a exemplo da árvore de natal feita com jornal, das lixeiras cuja matéria-prima foram as garrafas pets. Mas o 'xodó' da escola são os ‘pufs’ confeccionados com garrafas pets e espumas. 

Quem passeia pelas dependências da unidade de ensino também pode perceber o cuidado com a aparência, desde a limpeza até o simples ato de cuidar da grama e outras áreas verdes. "Normalmente as pessoas jogam fora os pneus velhos, mas aqui fazemos a pintura e eles se transformam em vasos para nossas plantas do jardim", mostra Celi. 

Mas apesar de todo o esforço para garantir o sucesso do projeto, a diretora conta que muitos entraves apontam a necessidade de remar contra a maré. Com um quadro de funcionários insuficiente (já que é preciso um trabalho articulado), além do pouco incentivo encontrado junto à Secretaria de Educação do Estado (SEE), a diretora lamenta a falta de comprometimento assim como o pequeno engajamento dos próprios pais. Mesmo assim Celi deposita as esperanças e fé na necessidade de que essa questão tenha uma abrangência ainda maior com as crianças.  

"Você precisa se preocupar com as novas gerações, como elas vão encontrar o planeta, porque se nós que estamos aqui não tivermos o mínimo de responsabilidade, deixaremos como herança a falta de condições de sobrevida das futuras gerações. Fizemos um trabalho onde a parte pedagógica era o essencial. Ninguém faz nada sozinho e temos uma quantidade significativa que tem abraçado a causa e acredita nesse trabalho. Mas é preciso ter paciência para todo o processo", acredita a diretora. 

O investimento em educação ambiental trouxe reconhecimento à unidade de ensino e, no ano de 2009, a escola Maria Ivone foi uma das vencedoras da premiação do Instituto Lagoa Viva.

Chocalhos e tambores: o som disseminado pela banda sustentável

A música é uma das formas artísticas que chega com facilidade no coração das pessoas. É ela que transmite mensagens, pensamentos e sentimentos, com a força que lhe é peculiar. Na criança, os sons dos tamborins e dos chocalhos levam à imaginação e instigam o prazer de fazer parte da história que lhe é contada. 

Pensando nisso, a Escola Estadual Major Eduardo Emiliano da Fonseca agregou música e meio ambiente para que juntos pudessem integrar o currículo escolar da criançada e assim abranger a sustentabilidade. Como? De uma maneira simples, mas consciente, com a aplicação de conhecimentos na produção de produtos recicláveis. 

A matéria-prima foi trazida pelos próprios estudantes que colocaram a 'mão na massa', deixando a criatividade ser o alto-falante da mudança que já faz parte do projeto pedagógico da escola pública, que atualmente trabalha com crianças de seis aos onze anos que cursam do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. 

João Miguel tem apenas sete anos, mas não titubeou ao responder qual um dos maiores prazeres que a escola pode lhe proporcionar recentemente: a bandinha dos alunos, confeccionada com objetos recicláveis. "Fiz um chocalho com a garrafa que trouxe de casa. Até hoje tenho guardada e sempre brinco com ele. Quando mostrei o que tinha feito na escola, todos em casa ficaram bastante felizes. Até ensinei também a preparar", conta o menino. 

A banda ganhou vida antes do carnaval deste ano e encantou as crianças. Baldes, garrafas pets, latas de leite ou cerveja e tecidos se transformaram em tamborins, chocalhos, baterias, disseminando o som inteligente do meio sustentável. A professora Maria Teófila Costa conta que a ideia partiu da necessidade de continuar levando à sala de aula assuntos pertinentes ao meio ambiente. 

"Como se aproximava o período carnavalesco, decidimos acrescentar a produção da banda dentro de nossas atividades escolares e ficamos impressionados com a grande participação dos alunos.  Não esperava ser tão prazeroso e que houvesse tanto engajamento", conta a professora. 

Tudo foi produzido pelos próprios estudantes que participaram das oficinas e deixaram a criatividade fluir dentro do seio escolar. Mas tudo isso não faria sentido apenas pelo valor da diversão, já que a essência da ação era acrescentar aos alunos o motivo de usar aqueles materiais e, o mais importante, fazer com que cada um deles entendesse a necessidade de preservar o meio ambiente. 

Maria Teófila contou que os docentes produziram um painel informativo mostrando a necessidade do processo de reciclagem. "Eles já entendem o que isso significa e o mais interessante é que com os ensinamentos na escola conseguimos atingir não apenas os alunos, mas toda a comunidade, já que esses conhecimentos são multiplicados nas residências", exalta a professora. 

Na sala de aula, as lições de conscientização 

Por se tratar de um tema relevante e bastante ressaltado no mundo, a sustentabilidade se transformou em disciplina obrigatória nas unidades de ensino. A coordenadora Maria Selma da Silva ressalta que dentro de todo o planejamento educacional essa problemática é discutida e permeia todas as áreas do conhecimento. 

A escola está localizada no bairro do Vergel do Lago, periferia de Maceió que sempre se destaca nos meios de comunicação como uma região com altos índices de criminalidade, além da grande evasão escolar.

Dentro das questões debatidas em sala de aula está a poluição da Lagoa Mundaú, um dos principais meios de sobrevivência das famílias. "Mostramos aos nossos alunos por meio de livros, documentários, revistas o que está acontecendo com nosso planeta e como eles podem se movimentar para evitar a destruição. Eles aprendem simples atitudes como não jogar lixo nas ruas nem tampouco nas lagoas que é um meio de sobrevivência dos pais. Pode parecer algo insignificante, mas que no futuro teremos as respostas", aposta a coordenadora.   

Agora, os planos são ainda maiores e devem ser colocados em prática ainda este ano para trazer pais e familiares para dentro da escola, com a elaboração de diversas oficinas. Os educadores acreditam que somente desta forma, numa ação conjunta com toda a comunidade, é que a mudança de comportamento da sociedade poderá ser constatada e comemorada. 

"Sabemos da importância que temos na formação das crianças e por isso vamos seguir batendo nessa tecla que vai, com certeza, contribuir para a preservação do meio das gerações futuras. Estamos plantando agora, mas o impacto será lá na frente. O objetivo é a qualidade de vida e atingindo as famílias nosso trabalho vai ganhar ainda mais amplitude", vislumbra a professora Maria Teófila. 

E mesmo que essa conscientização não seja imediata, a construção do ser humano e do verdadeiro cidadão já ganhou espaço na vida da pequena Alexsandra Beatriz Souza, de apenas sete anos. Numa simples atividade escolar, a criança fala com propriedade sobre o aprendizado. "Vamos continuar preservando a lagoa porque é importante para o meio ambiente. Não devemos jogar lixo porque ela pode morrer". 

Da horta às paredes de PVC: uma escola ecologicamente correta

"Tia, eu ainda não comi meu tomate". Essa frase pode parecer estranha, já que ouvir de uma criança o pedido por uma fruta, verdura ou legume seria praticamente impossível, correto? Errado. Essa é uma atitude corriqueira no Centro de Educação Infantil Mestre Izaldino, localizado no Pontal da Barra numa área de 1.200 metros quadrados, e que se torna música para os ouvidos de quem pode comprovar de perto a mudança de hábito entre as pequeninas sementes do amanhã.  

Muitos não sabem escrever, nem entendem o real sentido da vida, mas se destacam pelo comportamento um pouco inusitado dentro da realidade de inúmeras crianças do Brasil e do mundo. Mas para entender o que acontece na vida desses alunos que não ultrapassam os cinco anos de idade basta seguir até os fundos da unidade de ensino e descobrir o grande segredo. 

Em poucos metros quadrados, as sementes são plantadas e germinam, num espaço que há quatro anos deu espaço a uma horta. O cheiro de terra misturado com o verde do plantio faz o sorriso brotar junto com a certeza de que a vida ganhou outro sentido na escola. E mesmo com a necessidade de colocar a mão na enxada, os educadores não deixam o desejo de mudança no mundo. 

Quem nos convida para essa aula de sustentabilidade é a diretora Paula Castro. Num misto de entusiasmo e satisfação, ela caminha por entre os frutos e apresenta com todo carinho a pedra preciosa que eles regam dia após dia. Coentro, pimentão, cenoura, alface, ervas medicinais, tomate cereja são tesouros levados à mesa dos estudantes e que permitem uma merenda saudável agregada ao prazer da produção. 

Não se trata de uma simples horta. É também o resultado do trabalho e aprendizado dos próprios alunos. São eles que, sob a orientação dos professores, plantam as sementes e colhem os frutos. "Esse trabalho é todo feito com a presença das crianças, que conhecem esse processo e mantêm o contato direto com o meio ambiente. Eles vivem a natureza e compreendem melhor como fazê-la viver", explica Paula Castro. 

Todo processo começa na estufa e ganha forma após alguns dias de plantação quando os legumes e verduras são colhidos e levados à cozinha para a preparação do alimento que não possui a presença de agrotóxicos. As aulas de culinária também fazem parte da rotina das crianças que aprendem receitas e se familiarizam, cada vez mais, em produtos saudáveis. 

Se por um lado há o prazer do conhecimento e do convívio com a natureza, a escola experimenta também o processo denominado de 'auto-sustentável'. Além de produzir para o próprio consumo, consegue comercializar os produtos para a comunidade. 

"A gente se organiza de uma forma que quando percebemos que a produção está maior que a necessidade da escola, vendemos. A própria comunidade sabe o quanto eles são saudáveis e sempre nos procuram. É uma forma encontrada também para economizar os recursos públicos destinados à alimentação dos alunos", explica Paula Castro. 

E para quem acha que a responsabilidade com o meio ambiente termina aí, engana-se. Na escola, eles sabem bem o valor do termo 'nada se perde'. Coletores instalados ao lado da horta servem para o processo de decompostagem. As sobras dos alimentos são recolhidas e colocadas nesses espaços onde, alguns dias depois, se transformam em adubos para a terra. "Tudo aqui é reaproveitável", afirma a diretora, que já começa a demarcar um novo espaço para a segunda horta da escola.

Durante o passeio pelas dependências da escola, a reportagem pode ainda comprovar outro aspecto que remete ao comprometimento com o meio ambiente. As paredes são todas em PVC - concreto, deixando o espaço ainda mais bonito e se torna um meio ecologicamente correto de construção.

Esta é a primeira edificação no gênero construída em Concreto-PVC do Brasil e foi erguida em 2009 numa parceria entre prefeitura da Macieó Braskem num investimento de cerca de R$ 700 mil. Dentre a série de benefícios do projeto está a agilidade no período de obras de apenas três meses, além da baixíssima manutenção, elevada durabilidade e excelente desempenho em ambientes agressivos.

Segundo a Braskem, a tecnologia utilizada é com base em placas de PVC, preenchidas por concreto e barras de aço, que garantem a estabilidade do prédio. Com a utilização de PVC, concreto e aço, a construção torna-se uma obra estável, com resistência física e que atende aos padrões acústicos e térmicos exigidos na obra.

Além disso, PVC é resistente à maioria dos reagentes químicos e agentes biológicos como fungos, bactérias, insetos, além de ser impermeável a gases e líquidos e não propagar chamas. "A durabilidade é ainda maior, já que não precisamos pintar as paredes. A higienização é feita com a lavagem das paredes que além de ser mais prático agride menos o meio ambiente", ressalta a educadora. 

A experiência vem dando certo e a confirmação é a relação dos estudantes com a escola e a natureza. Se para muitos é estranho perceber o sabor da saúde, na escola os pequeninos aprenderam a lição e deixam de lado as guloseimas e alimentos inadequados para degustar os alimentos vindos da terra. E com o envolvimento da comunidade, todo o projeto ganha ainda mais vida e se torna o 'xodó' de educadores e alunos. 

"Não há nada que substitua a alegria de ver como eles vêm desenvolvendo o amor e respeito com a natureza. É indescritível perceber a mudança de hábito dessas crianças e saber que estamos contribuindo para uma geração consciente com seu papel na sociedade. Seria importante que todas as escolas pudessem desenvolver esse trabalho, já que para a horta não é preciso de um grande espaço e muitos conhecimentos. Basta ter vontade e aqui temos de sobra", ressaltou a diretora que ainda se mostrou disponível para ajudar outros educadores que queiram investir nesses projetos.