Minha amiga Maria Gorety (aquela que falei esta semana) registrou um chamego no peito. E enviou um e mail para mim, reclamando dos adjetivos do último artigo.
Peço desculpas à minha amiga. Os ricos- assim como os brutos- também amam. Mesmo a minha amiga, que virou madame.
Foi um artigo sem pecado. Reproduzo abaixo um trecho da longa resposta:
"Caro Odilon,
Você é um mentiroso, um jornalista amoral. Sou dona do mundo, e daí? Comparo você ao culto a Dadá ou a Macunaíma. Com a diferença que seu caráter é conhecido. Um pérfido. Exigo a retirada deste artigo profano do ar. Meus olhos pulsam de ódio e tive de sair da República das Bananas, da qual sou o Alfa e o Ômega (e rebatizada por mim) e mandar os sapos cantarem aos meus ouvidos, na minha casa. Oh! Myyyyyy God. Como suas palavras e os gatos da minha casa não tem valor nenhum para mim. O crime de ser eu me fez ler esta lei dos jornalistas que odeio para te responder. Não gosto da democracia. Odeio você".
Depois, uma das muitas empregadas de minha amiga-madame me ligou. São tantos, perdoe-me o lapso ao esquecer o nome. Nervosa, chamou-me de parceiro. Falou que me enviou o texto errado. Remeteu-me o corrigido:
"Caro Odilon,
Gosto da democracia, dos gatos da minha casa, do meu cunhado e da minha irmã.Ofendeu-me profundamente, mas você é um parceiro nosso. A lei dos jornalistas é bela como eu e minhas amigas que se escondem atrás do vidro fumê do meu carro, atraídas por meus cabelos. Para defender os gatos da minha casa, contratei os cachorros. Não se aproxime"
Maria Gorety é republicana. E entendo sua fase. Todos nós temos fases, minha amiga anda às turras com todo mundo. Ela descobriu que o universo não tem centro. E exige que os fisicos reconheçam ser ela o Princípio e o Fim.
Estou preocupado com minha amiga. Em casa, ela só tem um bico de luz para ela mesma não perceber que tem um parafuso a menos.
MYYYYYY God! Lá vou eu envenenar minhas relações com minha amiga! Amicíssima, como disse antes. Que horror, eu deveria obedecê-la. Ela é mais que todo mundo. Inclusive eu.
Pra quê- como diz o samba- discutir com madame?