Em fase incansável, o senador Fernando Collor (PTB) fez questão de mostrar- e com razão- que venceu um gargalo: a duplicação da BR 101, que enfrenta problemas junto ao Tribunal de Contas da União.
Mostrou sintonia com os técnicos do TCU. Não é pouco a quem é ex-presidente da República.
Mas, por que Collor e o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) se interessam por esta obra?
E por que Collor- em nova fase com Alagoas- está em ampla (talvez abissal) desvantagem com o setor produtivo local, com todos os motivos para eleger Vilela ao Senado e quem ele queira ao Governo?
Os dois tentam a duplicação de 248 quilômetros da BR. As obras se arrastam há quatro anos. A Secretaria de Infraestrutura reclama que o projeto foi malfeito- com problemas ambientais e disputas indígenas, incluindo na lista o TCU.
A rodovia se integra a todo o Nordeste brasileiro. E nela estão acessos considerados mais rápidos às usinas de açúcar e ligando a BR 104 (na capital) e AL 110 (Arapiraca-Penedo).
Significa: setor produtivo escoando mais rápido (e mais barato) a produção.
E o setor produtivo rende dinheiro em uma campanha eleitoral.
Outro interesse de Collor e Vilela: o Canal do Sertão, que custa R$ 2 bilhões, atinge 40 cidades ou quase um milhão de alagoanos.
Portanto, rendem votos.
Só o que é comum a ambos deixa de sê-lo.
Collor é presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado e ainda não briga pelas ferrovias. Mas, deveria.
É por uma delas, na cidade de Craíbas, que a Mineradora Vale Verde vai escoar 90 mil toneladas de minério de ferro e concentrado de ferro ao porto de Maceió.
A Vale Verde rende dinheiro em uma campanha eleitoral.
Collor não visita a Braskem. Mas, deveria.
A Braskem investiu R$ 1 bilhão em uma nova planta industrial. Serão 200 mil toneladas/ano de PVC, transformando Alagoas no maior produtor de resina da América Latina.
Collor nem liga para os empresários dos dois polos industriais. E deveria.
No polo Luiz Cavalcante, em Maceió há obras de recuperação, ampliação e modernização. Festa para os empresários, dinheiro para uma campanha. Melhor: tudo patrocinado pela era Vilela.
O Governo ofereceu três milhões de metros quadrados de terrenos para a instalação de indústrias, no polo Multifabril (Marechal Deodoro).
Mas, Vilela não é onipresente.
Os usineiros só têm reclamações com o Porto de Maceió.
É que o calado (profundidade) está em 10,5 metros. Os usineiros querem aumentar para 12 metros.
Pode ser pouco. Mas, cada embarcação suporta 35 mil toneladas de carga de açúcar.
O aumento do calado saltaria para 70 mil toneladas.
O calado é uma obra federal.
E a cadeia produtiva do açúcar é a maior do Estado. E as cifras são generosas:
- 27,7 milhões de toneladas de cana moída;
- 2,3 milhões de toneladas de açúcar;
- 672,7 mil metros cúbicos de etanol (safra 2011/2012);
- 85% das exportações dos usineiros ao mercado externo.
Collor tem os sindicatos ao seu lado, é verdade.
Mas, Vilela oferece estratégia aos empresários.
1 a 0 em início de campanha.