O clima de tensão gerado pela demarcação das terras indígenas na cidade de Palmeira dos Índios foi parar na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. O tema foi levantado pelo deputado estadual Sérgio Toledo (PDT).
O pedetista questionou a forma como tem sido feita a demarcação de terras no interior de Alagoas. “Não sou contra índio. Não é isto que estou dizendo, para depois não colocarem palavras na minha boca. Agora, será que o levantamento que foi feito é correto. São quatro ou cinco mil hectares para uma população indígena de 300 índios. É em região onde temos pequenos agricultores que viverão com 10 ou 20 hectares”, salientou.
De acordo com Sérgio Toledo, é mais do que a área ocupada por pequenos agricultores, que por vezes - segundo ele - sustenta família com 10 ou 20 hectares. “Será que é justo? Será que é justo o cidadão comum que não é indígena ter o mesmo privilégio que os índios possuem?”, questionou.
Sérgio Toledo foi acompanhado pelo tucano Edival Gaia. O deputado estadual do PSDB que representa a região foi enfático. De acordo com ele, a ocupação indígena da forma como está sendo feita “quebrará a cidade”.
“Quando eu digo que quebra, é porque quebra mesmo. São 12 mil pessoas que produzem e que serão desalojadas de suas terras. Na cidade, não tem mais onde alojar. Quando as pessoas deixarem de receber e comprar, deixa de movimentar o comércio. Vai desempregar. Palmeira dos Índios vai deixar de produzir”, complementou o tucano.
Gaia ainda colocou que o discurso não é contra o indígena, que deve ser respeitado e ter seu espaço “de forma correta”. “É contra a FUNAI que está sendo arbitrária. Se não fosse, estava ela respeitando a lei”. O tema tem sido constante na Câmara Municipal de Palmeira dos Índios e já foi levado para o Congresso Nacional pelo deputado federal Renan Calheiros (PMDB), como já retratou este blog em espaço anterior.
O contraditório foi posto pelo deputado estadual Judson Cabral (PT). O petista chamou a atenção para o fato de que o que é vivenciado em Alagoas não pode ser comparado com a realidade de outros estados, como Amazonas. “Não estou defendo que se desaloje famílias (produtores rurais), mas que se faça Justiça. Não estou defendendo que se desaproprie fazenda A, B ou C. Muito pelo contrário. Agora, defendo que seja respeitado os direitos de sobrevivência com os povos indígenas”.
Judson Cabral ainda destacou: “não se pode cair na questão da suposição. Entra em campo a imaginação fértil. Em momento algum Palmeira dos Índios vai ser invadida, ou o comércio vai fechar. Entendo como ilação. Tem que haver respeito a quem tem tradição (o indígena). São tribos indígenas que estão assentada em Palmeira que tem sido relegadas a exclusão social, porque nem o Governo tem se dignado a discutir um programa de assentamento para estes povos”.
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