O deputado federal Renan Filho (PMDB) encaminhou uma carta de resposta a revista semanal Veja em função da matéria “Murici, a terra do clã dos Calheiros”.
Sobre a reportagem, fiz comentários neste espaço em post anterior. Renan Filho rebate os dados da revista; e se apoia em uma série de dados para afirmar que a cidade tem o 13º Índice de Desenvolvimento Humano do Estado de Alagoas.
O parlamentar ainda fala da questão das casas da enchente de 2010, que foi abordada pela revista Veja. A reportagem afirma a existência de critérios duvidosos na entrega das habitações. Renan Filho diz que tudo foi feito com transparência.
Abaixo, a carta de Renan Filho endereçada à Veja. Ao leitor, aconselho a leitura dos textos que tratam o tema (a reportagem, a primeira postagem no blog e a carta agora). Eis a carta:
Brasília (DF), em 16 de abril de 2013.
Prezado editor.
Em face da matéria divulgada na edição nº 2.317 dessa conceituada revista, sob o título “Murici, a terra do clã dos Calheiros”, tenho a fazer, respeitosamente, as seguintes observações.
Nos últimos quinze anos, houve progressos na qualidade de vida da população de Murici. A renda cresceu 48%, a expectativa de vida subiu 26% e a educação 56%. O IDH passou de 0,461 para 0,633: é o 13º do Estado de Alagoas, que tem 102 municípios. O IBGE registra que o Produto Interno Bruto de Murici, entre 2006 e 2010, cresceu 64%. Nesse mesmo período o PIB brasileiro alcançou 59% e o PIB de Alagoas ficou nos 56%. O crescimento do PIB per capita foi de 145% de 2000 a 2009.
O analfabetismo é um grave problema combatido no país inteiro. A população de Murici sofreu com os efeitos predatórios da indústria canavieira e, por isso, a maior parte das pessoas sem alfabetização no município é adulta. Em 2010, o Censo do IBGE confirmou que o percentual de alfabetização de jovens e adolescentes entre 15 e 24 anos era de 90%, ou seja, as gerações mais novas já não passam por esse flagelo.
Outro ponto a merecer atenção é a drástica redução da mortalidade infantil. A UNICEF aplaudiu o trabalho e citou Murici como referência, no livro A Vitória da Vida, redução da mortalidade infantil em Alagoas. Na página 42 do acatado estudo da UNICEF está consignado, com todas as letras, que "o Coeficiente de Mortalidade Infantil do município já chegou a 144 por mil em 1996, mas reduziu para 29,7 em 2002". De lá para cá esse índice perverso permanece em decadência.
A desnutrição de crianças menores de dois anos chegou a 27,9%, em 1996. A partir do trabalho da prefeitura regrediu para 2,5%, em 2012, ou seja, dez vezes menos. O saneamento básico na cidade também evoluiu favoravelmente. O acesso da população a água ligada à rede pública em 1991 era de pouco mais de 30%. Em 2010 cresceu para 58,6% e em 2013 para 93,2% na zona urbana. O esgoto sanitário adequado saiu de ínfimos 4% em 1991 para atingir 71% em 2013.
É fundamental lembrar que em 2010 uma enchente de grandes proporções devastou grande parte do município. A tragédia levou casas e escolas inteiras. A prefeitura viu-se na emergência de alojar famílias e estudantes em abrigos e escolas improvisados. Hoje resta apenas uma escola improvisada, em recuperação, mas não há nela “salas em chão de terra”.
Por sua vez, a distribuição de casas aos atingidos pela cheia é realizada com transparência e respeitando o Relatório de Avaliação de Danos (AVADAN), elaborado por uma Comissão constituída por membros da prefeitura e do governo estadual. Mais de 1.500 casas já foram entregues aos desabrigados e outras 500 serão distribuídas nos próximos dias. O Ministério Público Federal não determinou que a lista de cadastrados fosse refeita.
A invasão conhecida como Portelinha surgiu em meados de 2009, quando a prefeitura se preparava pra construir um conjunto habitacional numa região conhecida como Tabocal e o terreno foi ocupado antes de iniciadas as obras. O problema está solucionado e a construção começa nos próximos dias.
A senhora Veroneide da Silva vive com três filhos em uma barraca cedida pela prefeitura. Ela morava numa casa de taipa no terreno invadido. Assim como outros na mesma situação, será contemplada pelo Programa Minha Casa Minha Vida – PAC 2. A prefeitura vai iniciar a obra, construindo mais 350 casas com saneamento básico, praça, quadra de esporte e gerar 200 empregos diretos e indiretos.
Com essas breves observações, expressando meu respeito por esse veículo de comunicação, que desempenha insubstituível papel no aperfeiçoamento da democracia, agradeço a atenção que esta carta certamente merecerá.
Renan Filho
Deputado Federal
Estes são os dados apresentados pelo parlamentar sobre o fato.
No mais,
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