A Veja (nas bancas neste fim de semana) traz uma reportagem nada agradável para o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB). A revista semanal aponta uma radiografia de Murici e diz que a cidade “parou no tempo”; atribui ainda uma causa: o domínio dos Calheiros na região. 

 

Mais uma reportagem para a lista de denúncias e reflexões para Calheiros e aliados se explicarem. Uma informação dada pela revista (ao menos) é incontestável: a família do senador Renan Calheiros se reveza no poder em uma cidade que é bem agraciada por verbas federais e - como a realidade da maioria dos municípios alagoanos - ainda sofre com a miséria; com a dependência destes recursos. 

 

Claro que a miséria no interior do Estado de Alagoas não é exclusividade de Murici. A própria capital alagoana sofre com isto. É gigante a parcela de maceioenses abaixo da linha da pobreza. Aliás, o Estado como um todo é pobre e sobrevive de repasses, convênios e empréstimos. O que é alvo de crítica de opositores, inclusive de peemedebistas locais.

 

Mas, em linhas gerais, quem foram sempre os mandatários do poder? Quem sempre esteve ocupando cargos importantes enquanto esta história era construída? São os mesmos que a cada quatro anos possuem a coragem de se apresentarem como novidades. 

 

Porém, voltemos a cidade de Murici (distante 50 quilômetros de Maceió) e seus 27 mil habitantes. De acordo com Veja, 1/3 dos moradores não lê, nem escreve e há uma dependência assustadora do Bolsa-Família. Uma realidade comum a todo o país, mas que chama ainda mais atenção por conta de complicadores e denúncias que aguardam “detalhes explicitados” por parte do prefeito Remi Calheiros e do senador Renan Calheiros. 

 

Uma das denúncias envolve as casas da reconstrução. Duas mil casas - segundo Veja - que seriam destinadas às famílias desalojadas. Imóveis - denuncia a revista semanal - distribuído por meio de “critérios duvidosos”, que “quase sempre privilegiam os mais próximos do poder”. As aspas são as frases trazidas pela Revista Veja. O MPF determinou que seja refeita a lista de cadastros, levando em conta outros critérios. 

 

Um nome citado na revista: Claudivan Maurício de Souza, o Lobinho! De acordo com a revista, ele teria ganho uma casa, que estaria no nome da esposa, que morava em Minas Gerais nas épocas da enchente. Um caso que precisa ser explicado, sobretudo com as informações adicionais que são apontadas pelo veículo de comunicação. Quem quiser, leia para saber mais.

 

A Prefeitura de Murici é apontada como maior empregadora da cidade, para mostrar o quão longe está a cidade da independência econômica, consequentemente ter condições para decidir outros rumos para fora do domínio político atual. Justiça seja feita: o que não é exclusividade de Murici. Uma das favelas da cidade - a Portelinha - também é alvo da reportagem.

 

De acordo com a revista, o prefeito foi ouvido. Diz ele que Murici é uma cidade com muitos problemas, “mas temos resolvido muitos também”. Em relação às casas das enchentes, Remi Calheiros diz que não “colocou um só nome na lista”. Que esta seja a verdade. Afinal, o que se espera é lisura de qualquer administrador. 

 

E olha só: nem a Câmara Municipal de Murici escapou. Se questiona o repasse de 40 mil/mês para o Murici Futebol Clube.  Esta realidade descrita por Veja é a da cidade que - desde 1996 - recebeu mais de R$ 39 milhões de vários ministérios. Além de outros convênios. Pelos números, se teria uma realidade melhor. O que faltou ou que sobrou na história de Murici? É a pergunta que fica no ar após as informações trazidas por Veja. 

 

Claro que todos os questionamentos levantados pela reportagem merecem uma discussão ampla. Por isto, seria interessante análises mais profundas sobre o município que é o berço de um dos nomes mais influentes da política nacional: Renan Calheiros. Seria interessante se ele mesmo pudesse analisar a evolução - em sua óptica - de Murici.  Aqui, espaço aberto, caso queira!

 

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