Quanto custa, hoje, eleger o senador Renan Calheiros (PMDB) ao Governo de Alagoas?
 
Sem dúvida: Renan é a maior liderança política do Estado. Tem pelos prefeitos um tratamento que só agora o senador Fernando Collor (PTB) dispensa aos chefes de Executivo. Sempre com muitos pedidos ou promessas para cacifar futuras eleições.
 
Mas, Renan enfrenta uma resistência, natural, do maior colégio eleitoral do Estado, Maceió. O senador Benedito de Lira (PP) foi o mais votado na última eleição, o próprio Renan não conseguiu transferir o prestígio amplo que tem em Brasilia para eleger Collor ao Governo ou mesmo o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) à Prefeitura.
 
Conseguiu isso em Arapiraca, ao eleger Célia Rocha. Porém, tradicionalmente, os votos de Maceió definem uma eleição. 
 
A aposta do PMDB está em Renan Filho? Não parece. Habitual tuiteiro e herdando a oratória "em cima do muro" do pai, Renan Filho está recolhido a um silêncio somente explicado por um conselho do próprio pai: a de não se envolver em nada que ligue o momento atual à urna eletrônica mais próxima.
 
Nada, até agora, público. Apesar de público ser o mutismo de Renan-pai e Renan-filho sobre o quadro eleitoral para o próximo ano.
 
Presidente do Senado, Renan ganharia, apenas, uma Alagoas problemática, cheia de dívidas e projetos mirabolantes para administrar. Há quem diga que todo governante sonha em mandar na sua terra natal. Fanatismos à parte, Biu de Lira e Collor- na posição que os dois ocupam- têm mais a ganhar assumindo o desejo pela cadeira marrom do Palácio República dos Palmares.
 
Biu de Lira ajudaria na reeleição do filho, Arthur, citado pela metade do alfabeto no Código Penal; Collor sobreviria mais quatro anos, se resolver encarar o Governo.
 
Renan seguiria como está, com o ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa (PMDB), Renan Filho a postos, aguardando as ordens de quem ainda manda muito em uma votação.