Você está cansado de ouvir o senador Fernando Collor (PTB) repetir os discursos na tribuna do Senado?
Não estranhe. Você não precisa ser vidente para entender o porquê.
Nem descobrir que atrás do senador, o jornalista Collor passa por maus bocados.
Brilhante na oratória, Collor enfrenta a crise de criatividade ao falar do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).
Nas redações, essa crise de criatividade também existe.
É quando chega o mês de dezembro/janeiro ou pós-carnaval e as pautas rareiam, as pessoas desligam os celulares para as festas, as informações minguam e o jornalista se vê diante de um desafio: fechar uma página do impresso ou cobrir 20 minutos de um telejornal.
O Collor-jornalista enfrenta a sua particular deflação criativa.
Voltou ao púlpito para reclamar da falta de saúde, educação, da insegurança pública. Do Brasil Mais Seguro. Do IML caótico.
Collor repetiu Cazuza: elegeu seu museu de novidades.
Museu não é um depósito de velharias. É excesso de fatos manjados.
Não é mágico, mas tira de sua cartola a ambígua condição eleitoral de candidato ao Senado. Ou ao Governo.
Parece ter firmado um acordo com o governador. Nada além do já conhecido será dito. Que fica na fronteira do parlapatão ao estelionatário político.
Não é cinismo. É, sim, evitar temas pouco navegados.
Afinal, se falar do acordo de renegociação da dívida pública que quebrou Alagoas na década de 90, Collor mexe com Teotonio. Mas, também, com alguns aliados.
E se Collor falasse que os usineiros de Alagoas conseguiram, na Justiça, ganhar uma ação de quase R$ 1 bilhão contra o Banco do Brasil?
Também seria atacar Teotonio. E, também, neo-aliados. Descartado, portanto.
E porque as verbas federais, transferidas para Alagoas nos últimos anos, não conseguiram diminuir a desigualdade social no Estado?
E o caso da propina do Banco Panamericano, envolvendo o Governo?
Collor não mexe em Teotonio quando isso significa, também, mexer com mais gente.
Assim, Collor é aquele elefante em uma sala com peças de cristal.
É cuidadoso no falar. E só toca em uma taça- e sem quebrar.
O resto preserva porque as eleições vêm por aí.