Após a sessão ordinária da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (03), foi realizada no plenário da Casa mais uma audiência pública da Comissão Especial que fiscaliza o Plano Brasil Mais Seguro em Alagoas que tem como presidente o deputado Ronaldo Medeiros. Os convidados a oitiva foram o Coronel Dimas Cavalcante (comandante-geral da Polícia Militar) e Maurício Breda (juiz e presidente do Conselho Estadual de Segurança).
A audiência teve início com a participação do Presidente do Conselho de Segurança, Maurício Breda que além de fazer um breve resumo do plano fez alguns alertas, onde afirmou que falta o trabalho da Prefeitura Municipal de Maceió, da Secretaria de Saúde e de outras secretarias que segundo Breda deveriam estar participando diretamente no combate à criminalidade, pois têm um papel preventivo importantíssimo.
“É claro que falta educação e saúde para resolver completamente o problema dos índices de violência, se nós não tivermos salas de aula funcionando, se continuar faltando água como está acontecendo na base do Conjunto Carminha, base nenhuma vai se sustentar. O conselho foi criado justamente para analisar a situação de cada base. No conjunto Santa Maria, por exemplo, havia material, viaturas, mas a escola não estava funcionando. O Militar sozinho vai fazer o que¿ O Governo precisa participar! Precisa investir em lazer, educação e esporte nas comunidades, mas enquanto não temos essas políticas públicas de maneira eficiente, precisamos ainda mais da polícia e da ostensividade do trabalho dos PM´s nas ruas”, enfatizou Breda.
O deputado Ronaldo Medeiros, presidente da Comissão afirmou que não só concorda com as palavras proferidas pelo presidente do Conselho, como vem debatendo quase que diariamente essa questão na Assembleia Legislativa, “só contratar policias não resolve, é importante, mas precisamos fazer muito mais, é preciso que as pessoas tenham opções para estudar, se capacitar, praticar um esporte, lazer e cultura e tudo isso tem que ser implantado diretamente nas comunidades, não podemos continuar combatendo violência com mais violência”.
Continuando sua fala o Juíz Maurício Breda, afirmou que de fato o contingente da Polícia Militar está defasado e que o Estado precisa ter suporte para contratar policiais. “Até setembro o Governador afirmou que vai colocar até 1000 policiais nas ruas, nas visitas que fiz em todos os batalhões da capital, percebi que não faltam viaturas, nem armamento para o contingente que nós temos o que precisamos é aumentar o contingente e consequentemente as armas e viaturas”.
Ainda em seu depoimento o presidente do Conselho de Segurança afirmou que hoje Maceió tem uma Delegacia só para cuidar dos assaltos a ônibus coletivos e que dentro de 15 dias serão publicados em todos os coletivos da capital, fotografias extraídas das ações dos “bandidos” nos próprios transportes, ou seja, a fotografia da filmagem feita na hora do assalto.
Indagado sobre o contingente da Polícia Militar de Alagoas, o Coronel Dimas Cavalcante, comandante da PM reconheceu as dificuldades enfrentadas pela Polícia Militar principalmente no que diz respeito à falta de policiais, afirmando ainda que vem desenvolvendo o trabalho exigido pelo Brasil Mais Seguro devido ao aporte da Força Nacional “e esse aporte tem nos dado a condição de trabalhar e obter resultados bem melhores. Os números ainda são alarmantes, mas nós acreditamos que com um trabalho contínuo vamos conseguir sim diminuir esses índices e colocar Alagoas em um patamar melhor no nível de criminalidade”.
O Coronel que assumiu o comando da PM em 26 de junho de 2012, afirmou que desde então já perdeu mais de 400 policiais Militares, devido a aposentadorias, afastamentos e licenciamento, “não só necessitamos como reconhecemos tanto é que o Governo abriu o concurso para mil policiais militares”.
Encerrando a audiência o presidente da Comissão deputado Ronaldo Medeiros, solicitou a assessoria da Casa que solicitasse ao Coronel Dimas qual o efetivo atual da Polícia Militar, qual o ideal¿ E qual a expectativa de aposentadoria nos próximos três anos.
Em relação as bases comunitária Medeiros questionou a eficiência das mesmas, pois segundo o deputado isso não ficou claro “até hoje não sei, não recebemos a informação se depois da implantação das bases nas comunidades a violência diminuiu ou não”.
Ainda como forma de contribuir com o Plano Brasil Mais Seguro o deputado fez algumas observações, “tendo em vista que os crimes triplicam nos fins de semana e já que com os relatórios do Brasil Mais Seguro sabemos os bairros com um número maior de criminalidade, porque não usar as escolas que existem nesses bairros para ofertar cursos, capacitações nos fins de semana¿ Levar esporte, lazer, porque não?".
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