Nos últimos dias, a cidade de Maceió foi destaque nacional e internacional como uma das cidades mais violentas do Brasil e do mundo. O jornal Folha de São Paulo apontou Maceió como a capital brasileira líder em homicídio, enquanto a Rede CNN México mostra Maceió como a sexta cidade mais violenta do mundo.
Diante da repercussão, o CadaMinuto entrou em contato com o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), major Wellington Fragoso, e com presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos PMs e CBMs de Alagoas (Assmal), Teobaldo Almeida, para saber o posicionamento das lideranças policiais sobre a violência em Maceió.
Para o Major Fragoso, o aumento da violência está relacionado a um conjunto de fatores. Dentre eles, a escassez de efetivo da Polícia, a infraestrutura do Instituto Médico Legal (IML), a carência do setor de criminalística e a baixa elucidação de crimes.
“Temos, hoje, escassez em nosso efetivo. Só no ano passado, cerca de 513 policiais se aposentaram ou pediram baixa. Se o Estado quiser diminuir a violência precisamos investir em policiamento, na valorização do policial e nas condições de trabalho”, disse Fragoso.
O major explicou ainda que em reunião com o governador foi sugerida a implantação do abono de permanência e do serviço voluntário com acréscimo salarial para os policiais que assim desejarem. Além do número do efetivo, o major destacou a necessidade de investimento tecnológico, melhoria das viaturas, locais de trabalho e a descentralização de ocorrências na Central de Polícia.
“Durante o final de semana, a situação da Central é absurda", destacou o presidente da Assomal.
Para o Sargento Teobaldo Almeida, presidente Assmal, é necessário investir em políticas públicas, reformular o Conselho de Segurança e traçar políticas voltadas para o Estado de Alagoas.
“As políticas públicas desempenham um papel fundamental para evitar que o jovem entre no mundo das drogas e do crime. Mas, para isso, é necessário que o Estado invista em políticas que estejam voltadas para ações culturais e sociais”, afirmou Teobaldo destacando a necessidade de investimento em iluminação pública e revitalização urbana. “O trabalho da polícia deve estar ligado às ações de políticas públicas”.
O sargento apontou ainda que o Conselho de Segurança precisa ser mais acessível à população. “Hoje o Conselho é formado pela parte mais elitizada da sociedade”, disse ele acrescentando que é preciso traçar uma política voltada para o Estado de Alagoas, independente de partido político.
