É de conhecimento da classe política o imenso desejo que o governador Vilela (PSDB-AL) tem de levar de volta o poderoso senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para o ninho tucano. Mas tal tarefa encontra obstáculos difíceis e quase impossíveis de serem ultrapassados, me contaram.

A tentativa do governador cercando o senador teve testemunhas durante a inauguração da primeira etapa do Canal do Sertão, evento ocorrido no início deste mês em Delmiro Gouveia. Houve demonstração e declaração de afeto por parte de Vilela. Mas Renan, como político profissional que é, respondia que ainda é cedo, cedo, cedo..., para tomar qualquer decisão.

Na verdade o senador ganha tempo porque ele é uma das vítimas de traição por parte do governador. E isso é muito grave em política. Quem vive do ofício sabe bem que “não se faz política sem fazer vítimas”, porém, gratidão e lealdade são qualidades valorizadas nesse meio.

Vamos ao histórico: a primeira vítima recente de Vilela foi o ex-governador Ronaldo Lessa que o apoiou na disputa ao governo em 2006. Vitorioso, o tucano deu-lhe as costas nas indicações durante a formação do governo e ainda o responsabilizou por erros em sua gestão, atacando-o de forma violenta numa tentativa de desconstruir a sua imagem. Lessa não o perdoa pela atitude e pelos processos que foram surgindo.

Em seguida foi à vez do próprio Renan, e seus aliados, sentirem o sabor do fel tucano. Eles apoiaram o então candidato, receberam cargos e a toda poderosa secretaria de Infraestrutura, mas tiveram os seus indicados exonerados durante as denúncias de irregularidades cometidas na execução de serviços da construtora Gautama. Até o próprio governador foi indiciado, mas ao afastar os indicados de Renan jogou, para a sociedade, a responsabilidade em cima dos Calheiros.

Como escrevi anteriormente, “nãos e faz política sem fazer vítimas”, lembra? Pois bem, o sonho de consumo de muita gente do PMDB é dar o troco a Vilela.  Nas últimas eleições para o Governo do Estado e para a Prefeitura de Maceió muitos pemedebistas marcharam contra o grupo do governador. E assim querem permanecer .

E pelo histórico de Vilela, é melhor os seus próprios aliados, casos do senador Biu de Lira (PP) e do vice-governador Thomaz Nonô (DEM) ficarem de olhos bem abertos. Os dois querem disputar o governo de Alagoas com o apoio do PSDB, mas, pelo histórico, não será surpresa se forem vítimas de uma “tramóia”, como dizem lá em Mata Grande.