Representantes do setor sucroalcooleiro debateram ontem (26/03/2013), em audiência pública com parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, entre eles o deputado Alexandre Toledo (PSDB/AL), medidas governamentais para enfrentar o endividamento e a queda na produtividade do plantio de cana-de-açúcar nos últimos anos.
Segundo a Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul (Orplana) e a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), tem havido fechamento de usinas e demissão de trabalhadores no interior do país.
A entidade estima que ao final da safra 2012/2013, o endividamento dos plantadores atingirá R$ 56 bilhões. Ainda de acordo com a Unica, pelo menos dez indústrias deixarão de processar a cana em 2013, 43 usinas foram desativadas nos últimos cinco anos e 60 de 330 devem fechar ou mudar de dono nos próximos anos.
Alexandre Toledo, em sua intervenção, defendeu uma política justa e séria, que proporcione segurança jurídica e um norte econômico coerente ao setor. Lembrou o equívoco produzido pelo próprio governo, que levou todos a mudar sua matriz energética para produzir o etanol e depois deixou o setor entregue a própria sorte. Fato, ressaltado pelo deputado, que fez com que a população não acreditasse mais no Próalcool, e deixasse de comprar carro movido apenas a álcool, o que acabou obrigando o setor a fazer o carro flex, mas que ninguém tem coragem ou segurança econômica de abastecer apenas com álcool.
O parlamentar alagoano lembrou que o problema não afeta apenas as indústrias de cana, mas principalmente os agricultores familiares e o pequeno comércio local dos municípios, que de uma hora para outra ficaram à míngua, forçando um êxodo rural do trabalhador não qualificado para os grandes centros urbanos.
O presidente da Orplana, Ismael Perina Júnior, disse que os produtores esperavam preços melhores do açúcar no mercado interno em 2013. “Como não se concretizou, de novo, vamos trabalhar com prejuízo”, declarou. Perina disse ainda que a obrigatoriedade do corte sem queima em São Paulo exigiu a implantação da colheita mecânica e elevou o custo da produção. “Na parte de comercialização, o transporte, os portos, também estão encarecendo o custo”.
O diretor do Departamento de Cana de Açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Cid Caldas, que estava representando o governo, reconheceu que fatores como a crise financeira de 2008, excesso de chuvas na safra 2009-2010 e seca em 2011 fragilizaram o setor nos últimos anos.
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