Datada do século XIX, quando comerciantes vinham de várias partes do Estado de Alagoas e de outros estados do Nordeste, a centenária Feira da Ponte acontece dois dias antes da Sexta-feira da Paixão, chegando a se estender até a madrugada de quinta-feira.

Num ritual que se repetia a cada ano, ao som de um búzio, os pescadores da Lagoa Azeda, Jequiá da Praia e da Barra de São Miguel chegavam por dentro do Rio São Miguel, com destino ao porto da Bexiga, onde seriam comercializados seus pescados.

A Feira da Ponte começa logo após o término da feira oficial do município, onde vários feirantes locais começam armar suas barracas na segunda-feira e comerciantes de outras partes do estado chegam na terça-feira.

Desde 2010 a Feira passou por mudança e deixou de acontecer no Centro da cidade para voltar a seu local de origem, as imediações do Rio São Miguel, onde hoje está localizada a praça multieventos.

A Feira mais tradicional de Alagoas arrebata lembranças e histórias de quem não deixa de passar por ela. “Hoje muita coisa mudou, já não vemos mais as panelas de barro, a barraca de comida caseira, mas é a evolução que não tem freio e chega para todos”, comenta o poeta Ernande Bezerra.

Durante o evento, que deixa de ser econômico a cada hora e ganha um pouco de cultura com apresentações de artistas da terra, a tradição é quebrada pelo grito do vendedor de chip de celular que é interrompido pelo ‘homem da bacia’ – oia a bacia de prastico, é duas por 5 real -, transformando o evento em um verdadeiro teatro ao ar livre.

Segundo os organizadores, desde as primeiras horas que teve inicio, pelo local já passaram mais de 20 mil pessoas. “A expectativa é que a noite esse movimento, que já está intenso, se multiplique três vezes mais”, destaca Francisco de Assis, um dos organizadores, falando num crescimento de 30% na movimentação de pessoas pelo local, em relação ao ano passado.