Há muitas dúvidas nas investigações, da Polícia Civil de Alagoas, na apuração do desaparecimento e morte da estudante de Contabilidade Bárbara Regina, de 21 anos. 
 
Como se sabe, ela saiu de uma boate na madrugada do dia 1 de setembro, ao lado daquele que é apontado como seu assassino: Otávio Cardoso.
 
O corpo jamais apareceu. Otávio também não. Sete meses de espera para a família.
 
O quê faz a polícia ter certeza da morte de Bárbara?
 
O blog teve acesso ao processo, sob segredo de Justiça, com autorização da família da estudante. Dúvidas cercam as mais de 400 páginas. 
 
Primeiro: a perícia no carro com supostas marcas de sangue de Bárbara nunca foi concluída. O resultado sairia em 10 de dezembro. Foi pedido um prazo maior:  10 dias.
 
Local da análise: sede da Deic, no bairro do Farol. 
 
20 de dezembro: a divisão especial da polícia explodiu.
 
O quê motivou a explosão? Não se sabe. Após a análise de DNA no sangue, ficaria comprovado- mesmo sem o corpo- a morte da jovem.
 
E nada é oficial, até hoje.
 
Segundo ponto: a estudante teve dois únicos relacionamentos sexuais na vida dela: o primeiro com um homem casado, chamado Ribeiro. O outro com um rapaz, Ítalo.
 
Bárbara terminou a relação, ao descobrir o casamento. Ribeiro procurava Bárbara. "Não quero homem casado", respondia. 
 
A esposa de Ribeiro, Cristiane, descobriu. Foi tomar satisfações. No dia 25 de maio do ano passado, às 15 horas, Cristiane discutiu com Bárbara no estande da Mavel (no Maceió Shopping), empresa onde a jovem desaparecida trabalhava.
 
Cristiane disse que transformaria a "vida de Bárbara em um inferno". Ela nega a ameaça. 
Ribeiro tem passagem pela polícia. Em 5 de agosto de 2010 empurrou Cristiane contra a parede, no apartamento do casal, e lhe deu tapas. Foi Cristiane quem o denunciou.
 
No dia do desaparecimento de Bábara, Cristiane disse que estava no carro de uma amiga, seguindo o carro do marido. Ribeiro passou no Bar da Picanha, em seguida na lanchonete Subway. Ela subiu no elevador do apartamento dos dois, com o marido.
 
A própria polícia descartou o envolvimento do casal ou a teoria de crime passional. 
 
Terceiro ponto: Otávio Cardoso. Quem era ele?  "Louco, psicopata e louco por sexo".
Esta declaração foi dada pela namorada de um dos acusados no crime, Moabe, que teria ocultado o corpo de Bárbara.
 
Ele nega. Falou em dois encontros com Otávio após o crime. O primeiro no posto Convem, no Farol. Otávio falou que sumiu com a estudante. O segundo encontro foi em um lava jato. Otávio lavava o carro, que estava com palha de cana de açúcar e lama.
 
A Polícia não acreditou na versão. E, pelos detalhes, disse que Moabe estava com Otávio, na morte de Bárbara.
 
Diz a polícia: no dia do crime, Bárbara encontrou Ítalo na boate Le Hotel. Ítalo foi o segundo rapaz que ela manteve relação sexual.
 
Ítalo estava acompanhado. Para fazer ciúmes, Bárbara ficou com um rapaz. Era Otávio. 
Ela saiu da boate, ao lado de Otávio. 
 
Retrato psicológico de Bárbara, nos depoimentos: uma mulher "medrosa", "responsável", "difícil". Difícil porque não fazia sexo com qualquer homem. Bárbara não estava bêbada.  
 
Por que a estudante saiu da Le Hotel com um desconhecido?
 
Para a família, Bárbara foi atraída para fora do local. Ou ameaçada.
 
Onde está Otávio?
 
Cinco dias após o desaparecimento, em Arapiraca. Um dia depois, Aracaju. 9 de setembro: Salvador, dia 10: Jequié (Bahia). 
 
20 a 22 de setembro: Ribeirão Preto (Paraná). 
 
10 e 11 de outubro: Foz do Iguaçu (Paraná).
 
Não há mais rastro de Otávio.
 
Otávio não é só um "psicopata louco por sexo". Trabalhou como segurança no Tabuleiro dos Martins. Tinha contatos com outro Ítalo (que estava na boate), chamado de "um dos maiores assaltantes de carros em Maceió", segundo a polícia.
 
Quem financia Otávio?
 
Por que ele matou Bárbara?
 
Bárbara está morta?
 
A Polícia Civil não tem resposta a nenhuma destas perguntas.