Após a leitura da sentença, na madrugada desta sexta-feira (22), que condenou o ex-prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes a 34 anos de prisão em regime fechado, e 28 anos e 8 meses e 31 anos os militares Geraldo Augusto e Ananias de Lima pela morte de Paulo Bandeira, os advogados de defesa dos réus entraram com recurso para anular o júri.
Em contato com o advogado dos militares, Welton Roberto disse que é contrário à decisão do Júri, já que, segundo ele, o Ministério Público não apresentou nenhuma prova concreta contra Geraldo e Ananias.
“A acusação não apresentou nenhuma testemunha que comprovasse que os militares estiveram com Paulo Bandeira no dia do crime. Vamos esperar que o Tribunal de Justiça julgue favorável nosso recurso, caso isso não aconteça, iremos até o Supremo para provar a inocência deles”, afirmou.
Outro ponto contestado pela defesa dos militares é o fato de que as declarações do policial Eraldo Henrique não confirmam que mesmo que eles não estiveram de serviço no posto no dia do crime, configure participação no assassinato de Bandeira. “Já recorremos no plenário dessa declaração e agora vamos pedir a anulação do júri. Houve inúmeros erros nesse processo e durante o julgamento”, conclui o advogado definindo o júri como o maior erro da história de Alagoas.
A defesa de Adalberon Moraes também entrou com recurso pedindo a anulação do júri após a leitura da sentença. O CadaMinuto entrou em contato com o advogado Álvaro Costa para comentar o recurso, mas seu ele não atendeu as ligações.
A defesa terá um prazo de oito dias para formalizar o pedido no Tribunal de Justiça apontando as razões para o recurso. Caso o TJ julgue favorável o recurso, Adalberon e os militares serão julgados novamente.
O julgamento
O Júri popular começou na segunda-feira (19) com o depoimento de testemunhas arroladas pela defesa e acusação. A viúva de Paulo Bandeira prestou depoimento e se mostrou revoltada, apontando o ex-prefeito de Satuba como o mandante do crime.
O segundo dia foi marcado pelo depoimento da ex-diretora da escola que o professor lecionava, Nancy Pimentel. Ela confirmou que Adalberon mandou buscar os horários em que Paulo estava de serviço na escola. Nancy ainda disse que Bandeira repudiava a gestão de Adalberon.
Réus negaram crime
Adalberon depôs no terceiro dia de julgamento e chegou a passar mal ao afirmar que não matou Paulo Bandeira, afirmando que o crime foi bárbaro e monstruoso. Ele também inocentou os demais réus.
Os militares Ananias de Lima e Geraldo Augusto, apontados como os executores, negaram ter praticado o crime e afirmaram que foram vítimas de armação.
