O Ministério Público do Estado solicitou, nesta sexta-feira (22) que o Ministério da Justiça faça a intervenção com a empresa norte americana Microsoft, solicitando ‘urgência’ no envio dos dados periciados no computador do estudante Fábio Acioli, morto em agosto de 2009.
A solicitação foi publicada no Diário Oficial do Estado e pede que o Ministério da Justiça diligencie e remeta, na urgência que o caso requer, as informações pertinentes ao conteúdo das comunicações arquivadas na “Microsoft”, relativas à vítima de homicídio Fábio Acioli de Souza Costa. O pedido se faz justamente pelo tempo em que tais informações foram solicitadas, mais de dois anos.
Em fevereiro deste ano, Carlos Eduardo Souza e Wanderley Nascimento Ferreira foram condenados a 26 anos de prisão em júri popular pela materialidade do crime. Por quatro votos a três, o Conselho de Sentença entendeu que os acusados, de fato, teriam agredido e ateado fogo no universitário Fábio Acioli.
Carlos Eduardo Souza, que já está em prisão preventiva há três anos e quatro meses e Wanderley Nascimento Ferreira, preso há três anos, tiveram subtraídos do tempo de condenação a quantidade de anos anteriormente cumpridos.
A promotoria sustentou a culpabilidade dos réus levando em consideração três provas testemunhais. Cícero Rafael, que estaria na companhia de Fábio Acioly no dia do crime e o garçom Marco Aurélio, que teria servido aos dois na mesma ocasião, no Beto's Bar, confirmaram ter reconhecido Carlos Eduardo e Wanderley como a dupla que esteve no estabelecimento comercial na noite do crime e que, depois, teria praticado o ato ilítico.
Também foi levado em consideração o depoimento do motoqueiro que socorreu a vítima. "Ele descreveu os acusados e relatou características bem semelhantes aquelas dos dois réus", acrescentou o promotor de Justiça. Já a Defensoria Pública do Estado tentou desqualificar os depoimentos das testemunhas e alegou que elas não teriam falado a verdade em Juízo.
Entenda o caso
Fábio Acioli era estudante universitário do Centro de Ensino Superior de Maceió (Cesmac) e na noite de 11 de agosto de 2009, seguia de um curso de inglês para casa quando, ao parar numa banca de revistas em Cruz das Almas, foi abordado e colocado na mala de seu veículo pelos seqüestradores.
Eles seguiram com o estudante para um canavial no Complexo do Benedito Bentes, onde jogaram gasolina em seu corpo e atearam fogo. O estudante conseguiu apagar algumas chamas e foi socorrido por populares que acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar de lutar pela vida e ser transferido para o Hospital da Restauração em Pernambuco, Fábio Acioli não resistiu aos 80% do corpo queimado e faleceu devido uma infecção generalizada.
A Polícia Civil de Alagoas designou três delegadas para atuar no caso. Porém, a conclusão do inquérito não deixou claro para a justiça quem seriam os mandantes do crime. A polêmica sempre girou em torno da participação de ‘figuras públicas’, o que ocasionou várias manifestações da sociedade alagoana contra a Justiça em busca de uma punição.
