O senador Fernando Collor (PTB) faz um jogo duplo: afinal, ele será candidato ao Senado? Ou ao Governo?
 
É claro que o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e o vice dele, José Thomáz Nonô (DEM) tratam o assunto com discrição ou aparente desprezo. E nem Vilela desistiu do Senado nem Nonô quer deixar de disputar o Governo. 
 
Nem o governador poderia pensar nisso: ele é denunciado no escândalo da construtora Gautama; assim como Collor ainda tem processos em tribunais superiores. O foro por prerrogativa de função garante prestígio e proteção.
 
De qualquer forma, houve uma mudança discreta na atuação de Collor há algumas semanas. Não usa só os discursos adjetivados ao falar de Teotonio. Ele levou prefeitos ao ministro da Integração Nacional; depois, os médicos ao ministro da Saúde. Vai fazer o mesmo com o Sinteal e atrair os policiais civis e militares para um encontro com o ministro da Justiça. 
 
Os prefeitos das 38 cidades atingidas pela seca alagoana acumulam reclamações direcionadas ao Governo; os médicos estão em greve desde dezembro; a Educação não supera os índices negativos e os policiais militares podem responder a processo administrativo, com risco de prisão, se insistirem em acampar na porta do Governo cobrando salários.
 
Minando o nome de Vilela no staff da presidente Dilma Rousseff, Collor quer afastar o Planalto da eleição do tucano. 
 
O resto vem por gravidade.
 
A tropa de choque colorida continua a atuar na Assembleia Legislativa, os sindicatos seguem o ritmo do "Collor prá valer" e o Governo, atônito, assiste o esfacelamento da própria imagem, construída na propaganda oficial.
 
Afinal, se nem o senador Benedito de Lira (PP) topa defender o governador em Brasília, para que Vilela vai contar com os amigos?
 
Venham os inimigos. O fogo amigo só serve mesmo para queimar o próprio Governo.