O terceiro dia de julgamento dos acusados de autorias intelectual e material na morte de Paulo Bandeira será retomado com o depoimento dos réus. Esse é um dos momentos mais esperados já que Adalberon de Moraes, ex-prefeito de Satuba, além dos policiais militares Geraldo Augusto Santos e Ananias Lima e o ex-chefe de gabinete da prefeitura, Marcelo José dos Santos serão ouvidos no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro.
Já foram dois dias de julgamento com o depoimento de várias testemunhas de acusação que voltaram a apontar o ex-gestor e os três acusados como os responsáveis pela morte do professor, que estaria sendo uma ‘pedra no sapato’ de Adalberon. Paulo Bandeira levantou a luta contra o ex-prefeito que estava sendo responsabilizado por desvios de recursos para a educação no município.
No primeiro dia, apenas três denunciados estavam sentados no banco dos réus. Marcelo José dos Santos era julgado à revelia, já que estava foragido. Ontem, o júri foi surpreendido pelo acusado que compareceu ao fórum, se entregando à justiça. A alegação dele é de que não havia recebido o mandado de prisão devido a uma mudança de endereço.
No segundo dia, o julgamento foi retomado com um tumulto. Familiares de Paulo Bandeira alertaram o juiz John Silas que estariam sendo filmados por parentes dos réus, acusados de serem os autores materiais do crime. Eles estariam fazendo as filmagens com celulares. O magistrado então mandou apreender os aparelhos. Olhando para os familiares dos réus o juiz alertou que eles estariam sendo acusados de coagir os parentes do professor. Ele deu o direito dos mesmos permanecerem no julgamento, mas sem encarar a família da vítima.
Cilene Bandeira, viúva do professor, além do irmão dele, João Bosco Bandeira já foram ouvidos pelo juiz John Silas, que preside o julgamento. Outros depoimentos considerados importantes foram o da ex-diretora da escola onde Bandeira lecionava, Nanci Lopes Pimentel. Ela voltou a fazer declarações que comprometem Adalberon de Moraes.
Quem também prestou depoimento foi o ex-vice-prefeito e ex-secretário de educação da cidade de Satuba, José Zezito Costa. Ele afirmou que tudo levava a crer que Adalberon tinha mesmo mandado assassinar o professor.
Apesar de Adalberon andar sempre na companhia dos seguranças, Adalberon e Zezito foram num veículo da prefeitura até a Fazenda Primavera, local onde se encontrava o corpo da vítima já carbonizado. “Ao ver o corpo que parecia um carvão grande, o então prefeito disse que estava satisfeito”, declarou Zezito Costa.
Ainda no local do crime Zezito disse que o corpo estava com as mãos acorrentadas ao volante de veículo e que era impossível reconhecer o corpo. Na parte de trás do veículo se encontravam dois recipientes de álcool.
Os réus
Adalberon de Morais Barros, acusado de autoria intelectual, quando do crime, acontecido em 2 de julho de 2003, ocupava o cargo de prefeito de Satuba. Na carta deixada pela vítima existia a denúncia de desvio de recursos oriundos do Fundeb pelo gestor do município. A esposa do professor chegou a declarar em juízo que estaria recebendo ameaças do então prefeito.
Sob a acusação de autoria material estão Geraldo Augusto Santos da Silva e Ananias Oliveira Lima que eram responsáveis pela segurança particular do ex-prefeito Adalberon Morais e de seu filho. Denúncias apontam ambos como os executores.
Considerado um ‘homem’ da confiança do prefeito, Marcelo José dos Santos, teria ido à escola onde trabalhava a vítima a fim de verificar os horários de trabalho para melhor arquitetar o plano.
O crime
Relatórios apontam que o professor Paulo Bandeira teria sumido logo após ir à sede da Prefeitura de Satuba. Depois de ficar desaparecido por dois dias, o seu corpo foi encontrado carbonizado, num local de difícil acesso, nas proximidades da cidade.
A vítima estava carbonizada e foi encontrada dentro de seu carro, um veículo Gol, com os membros inferiores, tórax e pescoço imobilizados por correntes. O corpo só pode ser reconhecido após exame de DNA.
Após relatar a denúncia do mal uso dos recursos do Fundeb pelo gestor da municipalidade, a vítima teria confessado seu temor a sua esposa e ainda deixado uma carta e uma gravação de áudio.
