Atualizada às 22h39

O policial militar Ananias de Oliveira Limas, conhecido como Cabo Lima, negou a sua participação na morte do professor Paulo Bandeira, crime ocorrido em 2003, no município de Satuba. O militar afirmou que é acusado no caso devido a acusações falsas e levianas de um policial civil conhecido como Eraldo Henrique, que na época também trabalhava como segurança do prefeito.

O réu disse que conheceu o ex-prefeito Adalberon de Morais através do deputado Luiz Dantas e passou a fazer a segurança do filho de Adalberon, conhecido como Junior. “Não sei a quem atribuir esse crime. Só sei que não tenho nada haver”, respondeu Ananias, ao ser indagado pelo Juiz John Silas sobre um possível autor do crime.

Ananias afirmou que foi incriminado e preso injustamente durante sete anos após as declarações do agente da PC Eraldo Henrique. “Fiquei sete anos preso por uma acusação leviana e irresponsável do Eraldo”, completou. Sobre as investigações, o militar afirmou que o delegado Cícero Lima, que conduziu as investigações, “foi um grande covarde”.

 O réu relatou que no dia 02 de junho de 2003, quem estava a serviço do ex-prefeito era o militar Geraldo Augusto e que esteve em Satuba neste dia, mas que passou a tarde junto com Augusto em posto de combustível da cidade, de propriedade de Adalberon. Segundo ele, o policial civil Henrique mentiu em seu depoimento dizendo que não o viu no posto de combustível "a mando" do delegado Cícero Lima. “Fui tudo armação. O Henrique faltou com a verdade com todos e com a Justiça”, frisou.

“No dia 03 trabalhei pela manhã e a tarde fiquei em minha residência e no dia 04 fiquei sabendo do crime. Quando soube do crime e ouvir que as pessoas estavam acusando o ex-prefeito Adalberon sentir um aperto no coração, pois como estavam acusando o prefeito, consequentemente acusaria a segurança dele, como fizeram com outro crime ocorrido pouco tempo antes”, afirmou o militar fazendo referência ao assassinato do assessor parlamentar James Alves, morto em dezembro de 2002.

Ananias também negou ter participação na morte de James Alves. Ao ser interrogado pela defesa, o militar afirmou que não conhecia Paulo Bandeira, nem sabia onde ficava a escola Josefa da Silva Costa, onde o professor trabalhava.

“Só estou aqui porque o Eraldo foi covarde disse que não tinha me visto no posto naquele dia”, finalizou.

 

O quarto depoimento do dia

O policial militar reformado Geraldo Augusto também negou a autoria do crime e confirmou o depoimento do cabo Lima sobre as falsas declarações do agente da Polícia Civil, Eraldo Henrique. Segundo Augusto, durante seu depoimento na Polícia Federal ele recebeu uma proposta do então superintendente, Paulo Rubim, para afirmar que não tinha visto o Cabo Lima no posto de combustível no dia 02 de junho de 2003.

“Eles me ofereceram escola boa para meus filhos e uma casa bagana em outro estado, para falar que o cabo Lima e o Adalberon não estiveram no posto de combustível naquele dia (dia 02). Na época que prestei o meu primeiro depoimento fiquei com medo de falar que tinha recebido essa proposta, pois temia que acontecesse alguma coisa com a minha família. Hoje resolvi falar porque estava aqui em juízo”, contou.

Além da proposta, Augusto diz que foi torturado psicologicamente e humilhado quando foi preso pela Polícia Federal. O PM reformado disse que na época do crime revezava os plantões com o agente Eraldo Henrique, que na época também tava plantão na Delegacia de Satuba.

Segundo ele, no dia 02 era o plantão de Henrique com o ex-prefeito Adalberon, mas ele pediu para trocar alegando que estava de plantão na delegacia. “Ele trocou o plantão comigo e no dia 03 eu estava de folga, quem estava trabalhando era ele”, disse.

“Nunca matei ninguém. Se a família do Paulo Bandeira sofreu, a minha sofreu também. Hoje eu preferiu estar morto do que ser chamado de bandido, de que ver as pessoas chamando minha de família de família de bandido”, afirmou.

 No final dos depoimentos, o Juiz John Silas informou que diante das acusações feitas pelos réus ao policial civil Eraldo Henrique, o agente da PC foi intimado para prestar depoimento nesta quinta-feira (21). Segundo o magistrado, a intimação foi entregue ao Diretor da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, que garantiu apresentar o policial, às 8h30 no Fórum do Barro Duro.