Atualizada às 11h55
O ex-prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes, acusado de ser o autor intelectual da morte do professor Paulo Bandeira, foi o primeiro a ser ouvido, nesta quarta-feira (20), terceiro dia de julgamento do caso. Após o juiz Jonh Silas reler seu depoimento prestado à época das oitivas do caso, Adalberon negou que ele e os outros três réus são autores do crime.
Ao ser questionado pelo juiz onde estava no dia do crime, o ex-prefeito afirmou que foi trabalhar e depois foi pra o posto de gasolina de sua propriedade. Ele contou que só soube do desaparecimento de Paulo Bandeira através de amigos.
No final de seu depoimento, ele se emociou e chegou a passar mal e teve que tomar um remédio. Sobre as provas que pesam contra ele, Adalberon disse que ‘ouviu dizer’, afirmando que foi preso e não sabe do que se tratam. “Apenas ouvi falar da garrafa de álcool e que o professor foi morto queimado e acorrentado. Não tenho nada contra nenhuma das testemunhas. Foi um crime bárbaro, crime monstro”,declarou.
Adalberon disse ainda que nunca havia se envolvido em crimes e que sempre trabalhou muito. "Como eu disse nesse depoimento comecei a trabalhar aos dez anos de idade e nunca me envolvi com nada de errado. Fui prefeito dessa cidade para mostrar ao povo como fazer o bem para a sociedade. Trabalhei duro por Satuba.Se eu estiver certo, vou até o fim" afirmou.
Paulo era um homem de bem
Após uma pausa no julgamento, o ex-prefeito de Satuba disse que não possuía nenhuma mágoa ou briga com o professor Paulo Bandeira. Ele negou que mandou Marcelo José à escola para pedir à diretora Nancy Lopes os horários em que Paulo estaria de serviço na escola.
"Nunca fiz isso. Paulo era um homem de bem e eu o travata como os demais professores", declarou.
Em outro momento, Adalberon afirmou que a ex-diretora não gostava de Paulo, chegando a dar férias a ele para protegê-lo da diretora. "Coloquei a Nancy no cargo por politicagem. Atendi a um pedido do cunhado dela e do Zezito [ex vice-prefeito]. Ela não simpatizava com o Paulo e dei as férias a ele para protegê-lo. Eu não seria capaz de mandar matar uma pessoa", voltou a repetir.
Os policiais militares Geraldo Augusto Santos e Ananias Lima e o ex-chefe de gabinete da prefeitura, Marcelo José dos Santos serão ouvidos ainda hoje no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro.
O julgamento
No primeiro dia, apenas três denunciados estavam sentados no banco dos réus. Marcelo José dos Santos era julgado à revelia, já que estava foragido. Ontem, o júri foi surpreendido pelo acusado que compareceu ao fórum, se entregando à justiça. A alegação dele é de que não havia recebido o mandado de prisão devido a uma mudança de endereço.
No segundo dia, o julgamento foi retomado com um tumulto. Familiares de Paulo Bandeira alertaram o juiz John Silas que estariam sendo filmados por parentes dos réus, acusados de serem os autores materiais do crime. Eles estariam fazendo as filmagens com celulares. O magistrado então mandou apreender os aparelhos. Olhando para os familiares dos réus o juiz alertou que eles estariam sendo acusados de coagir os parentes do professor. Ele deu o direito dos mesmos permanecerem no julgamento, mas sem encarar a família da vítima.
A ex-diretora da escola onde Paulo Bandeira ensinava foi ouvida. Nancy Lopes Pimentel afirmou que tinha medo de Adalberon e que o ex-prefeito pediu os horários em que Paulo estaria na escola de serviço.
O ex-prefeito e ex-secretário de educação da cidade de Satuba, José Zezito Costa, prestou depoimento. Em seu depoimento, ele afirmou que Adalberon era um homem de pavio curto e que chegou a ameaçá-lo.
O caso
Relatórios apontam que o professor Paulo Bandeira teria sumido logo após ir à sede da Prefeitura de Satuba. Depois de ficar desaparecido por dois dias, o seu corpo foi encontrado carbonizado, num local de difícil acesso, nas proximidades da cidade.
Paulo foi encontrado dentro de seu veículo Gol acorrentado e carbonizado.




