O presidente do Sindicato dos Médicos, Welington Galvão, não vai denunciar o Ministério Público Estadual ao Conselho Nacional do MP. Foi o que ele disse ao blog.
 
Na conversa, Welington citou os promotores Ubirajara Ramos e Micheline Tenório. "Os dois são combativos". Reclamou do promotor Sidrack Nascimento: "Quer responsabilizar os médicos pela morte da dona de casa". Refere-se a Edlene da Conceição Silva, que morreu sem atendimento médico.
 
Citou o MP alagoano: "Há quatro anos que não reage quando denunciamos o caos na saúde". Disse que viaja a Brasília nesta quarta-feira- onde terá encontro com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; "Não estou fazendo política partidária", disse. O encontro foi agendado pelo senador Fernando Collor (PTB), que tem feitos críticas duras ao governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Um dos alvos é a saúde.
 
"Tivemos uma conversa de duas horas com o governador. Não tivemos resposta. Por isso vamos a Brasília pedir socorro ao ministro".
 
Mas, se tem provas que o MP teria sido omisso em denunciar o caos da saúde em Alagoas, porque não denunciar ao Conselho Nacional do Ministério Público? "Não é nossa intenção", afirmou o presidente do sindicato.
 
Estelionato
 
Na edição desta terça-feira (19), a Gazeta de Alagoas traz a resposta do procurador-Geral de Justiça, Sérgio Jucá- uma reação às declarações de Welington, no mesmo jornal, chamando o MP alagoano de "omisso e conivente" com o Governo.
 
Jucá lembra de um processo em que o presidente do sindicato é acusado de estelionato.
 
Ao blog, Welington Galvão explicou: 
 
"Provei que não tive vantagem financeira, o próprio Ministério da Saúde disse que isso era erro técnico. Tenho respeito ao Sérgio Jucá, fomos conversar logo após a posse dele. Coloquei para ele a situação da saúde.
 
Morte de dona de casa
 
E sobre a morte da dona de casa Edlene? Por que um dos postos de saúde, procurados pela família da mulher, tinha duas ambulâncias e não encaminhou ao Hospital Geral do Estado?
 
Resposta: "Porque existe uma orientação da Secretaria Estadual de Saúde. Quando o paciente aparecer, o serviço de assistência social pede que ele possa ser encaminhado a outro posto ou ambulatório 24 horas".
 
O blog perguntou: "Se a paciente tivesse sido socorrida por uma ambulância, teria sobrevivido?".
 
Resposta: "É provável que sim, mas não podemos esquecer que era um infarto do miocárdio. Ela poderia morrer dentro de um hospital".
 
Welington acrescentou: "Houve erro dos atendentes dos postos. Na verdade, os postos deveriam estar fechados por causa da greve dos médicos.Serviços de urgência e emergência nao pertencem aos postos ou ambulatórios 24 horas. E sim ao HGE. E estamos mantendo 100% dos atendimentos de urgência e emergência".