O segundo dia de depoimentos do julgamento dos réus acusados do assassinato do professor Paulo Bandeira, seguiu de forma lenta. Na tarde desta segunda-feira (20), o auditório do Fórum Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, esteve mais uma vez lotado de parentes e amigos do professor.
O ex-prefeito e ex-secretário de educação da cidade de Satuba, José Zezito Costa, prestou depoimento. Zezito disse que apesar de ocupar um cargo na pasta pública do município desconhecia se as verbas do Fundeb eram administradas pela prefeitura ou pela secretaria de educação.
Desvios
Apesar de ser o vice-prefeito, Zezito reforçou que o então prefeito, Adalberon de Moraes era uma pessoa “centralizadora e de pavio curto. Nenhum secretário tinha o poder de nomear, exonerar, ou administrar. Ele tomava todas as decisões no município”.
Um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) enviado à época ao município destacava que aproximadamente 58% das verbas do Fundeb tinham sido desviadas, causando um prejuízo de R$ 344 mil ao erário público. Zezito passou horas tentando entender o relatório e afirmou que o então prefeito Adalberon quando entrevistado por um jornal local sobre os desvios “confessou com a própria ‘boquinha’ dele que tinha desviado as verbas”, depôs Zezito.
Envolvimento no crime
O mal entendido entre Zezito e Adalberon se agravou ainda mais quando após o desaparecimento e morte do professo Paulo Bandeira, a ex-esposa de Adalberon, Fátima Pedrosa, Maria de Lourdes Gama Nobre, Antonio Vieira e Maria José Batista pediram que ele (Zezito) assinasse um documento que o apontaria como autor intelectual do crime.
Apesar de Adalberon andar sempre na companhia dos seguranças, Adalberon e Zezito foram num veículo da prefeitura até a Fazenda primavera, local onde se encontrava o corpo da vítima já carbonizado. “Ao ver o corpo que parecia um carvão grande, o então prefeito disse que estava satisfeito”, declarou Zezito Costa.
Ainda no local do crime Zezito disse que o corpo estava com as mãos acorrentadas ao volante de veículo e que era impossível reconhecer o corpo. Na parte de trás do veículo se encontravam dois recipientes de álcool, destacou o ex-vice prefeito.
Ameaças
Preso por causa do desvio de verbas, Adalberon ainda parecia manter algum tipo de regalia na prisão uma vez que Zezito disse que o réu o ameaçava constantemente. “Lembre-se que ainda sou o prefeito e vão me soltar”, falava Adalberon nos telefonemas, afirmou Zezito.
Adalberon ainda deixou bem claro que “o primeiro ato dele ao sair do presídio Baldomero Cavalcanti seria me dar uma surra dentro de minha casa”, destacou Zezito.
O crime
Relatórios apontam que o professor Paulo Bandeira teria sumido logo após ir à sede da Prefeitura de Satuba. Depois de ficar desaparecido por dois dias, o seu corpo foi encontrado carbonizado, num local de difícil acesso, nas proximidades da cidade.
A vítima estava carbonizada e foi encontrada dentro de seu carro, um veículo Gol, com os membros inferiores, tórax e pescoço imobilizados por correntes. O corpo só pode ser reconhecido após exame de DNA.
Após relatar a denúncia do mal uso dos recursos do Fundeb pelo gestor da municipalidade, a vítima teria confessado seu temor a sua esposa e ainda deixado uma carta e uma gravação de áudio.

