por Redação
O julgamento dos quatro acusados de assassinar o professor Paulo Bandeira será retomado nesta terça-feira (19) com o depoimento de mais quatro testemunhas arroladas pela acusação. No Fórum de Maceió, sentam nos bancos dos réus os policiais militares Ananias Oliveira Lima e Geraldo Augusto Santos Silva, e o ex-prefeito do município de Satuba, Adalberon de Moraes. O ex-chefe de gabinete da prefeitura, Marcelo José dos Santos, segue foragido e está sendo julgado à revelia.
Ontem, dia que se iniciou o júri, a primeira testemunha ouvida pelo juiz John Silas – que preside o julgamento – foi a viúva do professor, Cilene Bandeira. Mostrando bastante revolta, a viúva titubeou em apontar para o ex-prefeito como mandante do assassinato de Paulo Bandeira. “Não tenho dúvidas que o mandante de bárbaro assassinato de meu marido foi esse tal Adalberon de Moraes”.
Segundo Cilene, o réu (Adalberon) teria nomeado o esposo para o cargo de supervisor numa tentativa de “calar a boca dele quanto às denúncias de desvio de recursos do Fundeb. Como ele (o professor) não se calou foi automaticamente exonerado de cargo de confiança e a direção da escola inclusive deu férias antecipadas”, falou a viúva.
Ainda durante o depoimento, a viúva relatou que todas as noites o professor chegava por volta da meia noite em casa. “Na noite do crime eu dormi e quando acordei por volta das 5h e vi que ele não estava em casa fui com meu cunhado a Satuba. Desde então começou o desespero. Quando estive na escola achei estranho quando até o porteiro se referia a meu esposo como alguém que trabalhou na escola, se referindo sempre no passado. Parecia que toda a cidade sabia do acontecido”, afirmou Cilene.
A viúva lembrou ainda que na época, o clima de tensão era visível na cidade de Satuba. Vários professores não puderam comparecer ao enterro, nem à missa de 7º Dia com medo de sofrer represálias por parte da direção da escola e da prefeitura.
Outro depoente foi o irmão da vítima, o também professor João Bosco Bandeira. Em sua fala, por diversas vezes citou o nome da ex-diretora da Escola José da Silva Costa, onde o professor Paulo Bandeira lecionava na época do crime. Ao descobrir o desaparecimento do irmão, João Bosco chegou a ir à escola, mas foi informado pela diretora que Paulo Bandeira não havia trabalhado no dia anterior.
No entanto, o fato que mais chamou atenção foi quando a família do professor se dirigiu à delegacia da cidade para prestar queixa do desaparecimento. Para surpresa de todos, Nanci também apareceu no local com a ‘desculpa’ de querer prestar queixa sobre o roubo de um aparelho eletrônico. “Naquela hora eu tive a certeza de que ela estava ali para saber sobre o que a gente estava falando do desaparecimento do meu irmão”.
No depoimento, Bosco ainda afirmou que a garrafa de álcool encontrada próximo ao corpo da vítima era do mesmo lote comprado pela prefeitura. “A Polícia comprovou pelo código de barras que a garrafa foi comprada pela prefeitura e que tinha sido distribuída para a escola José da Silva Costa”, completou.
