Em depoimento na tarde desta segunda-feira (18), a viúva do professor Paulo Bandeir , Cilene Bandeira disse que após seu esposo ir à sede da prefeitura de Satuba, e se encontrar com o então prefeito, Adalberon confessou que nunca tinha visto tanto ódio e tanta crueldade.
Questionada sobre o possível mandante do assassinato, Cilene não titubeou em apontar para o ex-prefeito, sentado à direita da viúva no Fórum Jairo Maia Fernandes e disser “não tenho dúvidas que o mandante de bárbaro assassinato de meu marido foi esse tal Adalberon de Moraes”.
Segundo Cilene, o réu(Adalberon), teria nomeado o esposo para o cargo de supervisor numa tentativa de “calar a boca dele quanto às denúncias de desvio de recursos do Fundeb. Como ele (o professor) não se calou foi automaticamente exonerado de cargo de confiança e a direção da escola inclusive deu férias antecipadas”, falou a viúva.
Ao ser comunicado das mudanças em seu horário de trabalho e ser humilhado numa conversa com o prefeito, Cilene comentou que o professor Paulo disse que não iria sair de férias e na segunda-feira estaria na sala de aula. “Se a gente se acovarda perde a dignidade”, disse Paulo Bandeira dois dias antes de morrer.
“O clima de tensão era visível na cidade de Satuba. Vários professores não foram ao enterro, nem à missa de 7º Dia com medo de sofrer represálias por parte da direção da escola e da prefeitura”, declarou a viúva.
O desaparecimento
Todas as noites o professor chegava por volta da meia noite em casa. “Na noite do crime eu dormi e quando acordei por volta das 5h e vi que ele não estava em casa fui com meu cunhado a Satuba. Desde então começou o desespero. Quando estive na escola achei estranho quando até o porteiro se referia a meu esposo como alguém que trabalhou na escola, se referindo sempre no passado. Parecia que toda a cidade sabia do acontecido”, afirmou Cilene.
Meu marido sempre foi pontual. Nos 18 anos que passamos casados nunca dormiu fora de casa. Angustiada percebi que algo sério tinha acontecido.
Após acharem o corpo carbonizado começou uma luta para encontrar os culpados, falou a viúva. “Quando fui à delegacia da cidade, o então prefeito Adalberon estava lá com os capangas querendo dar uma de inocente. Mas de verdade ele é um déspota!”, destacou Cilene.
“Meu marido tinha uma família e tinha sonhos. Tenho muito orgulho de ter dividido 18 anos de minha vida com esse homem”, falou emocionada a viúva Cilene Bandeira sobre a morte do seu esposo, Paulo Bandeira, que foi assassinado de forma covarde e brutal aos 45 anos e deixou uma filha que tinha à época 15 anos e um menino com 7 anos.
