Guardadas as devidas proporções- e o tempo histórico- a campanha ao Senado entre Fernando Collor e o Teotonio Vilela Filho tem algumas semelhanças com outra campanha- ferrenha e sangrenta- entre Arnon de Mello (pai de Collor) e o temido Silvestre Péricles, da família Góis Monteiro.
Arnon e Silvestre disputaram o Governo de Alagoas na década de 50. Jornalista, Arnon usava os recursos mais modernos da mídia (e a sua Gazeta de Alagoas) para mostrar a "Alagóis"- um desafio público aos Góis Monteiro, de Silvestre.
Como hoje, naquela campanha, existia o vale-tudo, chegando a vida pessoal. O final não cheirava bem.
Perdida a eleição, Silvestre- governador na época- entregou o Palácio Floriano Peixoto com sua última assinatura de chefe do Executivo: fezes espalhadas nas paredes da sede do Governo.
Cinco décadas depois- em 2001- o publicitário Duda Mendonça- em seu livro de memórias- disse que Collor e Lula estavam empatados na campanha de 1989. O desempate- segundo Duda- veio de dois episódios: o caso Lurian- a filha de Lula com Miriam (revelado por Collor)- e o desempenho de Lula no último debate. Além da influência da famosa edição do debate, feita pela Globo:
"As pesquisas davam Collor e Lula empatados. Se Lula tivesse aberto o coração, a história seria outra. E tem mais: quem nunca fez uma cagada na vida?"
Diferença entre as duas campanhas: há um limite na exploração da imagem em busca do cargo público.
Vale tudo, mesmo, em uma eleição?
No mesmo 2001, Collor bancou a campanha mais mortal de sua carreira política: o Governo de Alagoas.
Desgastou-se e o pior: perdeu o Palácio Floriano Peixoto.
A memória não é curta: nunca mais elegeu-se ao Executivo alagoano. Virou senador em uma campanha brilhante, de 28 dias. Parecia não ter adversários. E tinha: um Ronaldo Lessa governador.
O brilhantismo dissolveu-se em 2010, quando se percebeu que Collor não levava uma campanha sua ao Governo, mas de Lessa.
Entre 1950 e os anos 2000, vão-se 50 anos.
O choro de Serra em debate na TV Bandeirantes com Dilma Rousseff na campanha presidencial e a bolinha de papel que virou uma tomografia definiram a eleição.
O julgamento do mensalão, usado como arma de campanha, definiu a eleição.
O choro de Collor em uma rádio local- ao responder a uma gravação de Teotonio Vilela sobre o Bolsa Família- e a devassa do governador nos arquivos alagoanos sobre a era Collor de Mello- parecem mostrar que a eleição não será definida em 2014. Mas, já agora, este ano, sem papas na língua ou movimentos extraordinários.
Os fatos, hoje, dão mais vantagem a Vilela que Collor.
Collor já derrotou algumas vantagens.
Mas, nem o senador nem o governador fecham a equação em Maceió. O funcionário público lembra de Fernando Collor.
E a era Teotonio Vilela Filho é paradoxal: comemorada no Palácio, caótica nos hospitais, maternidades e escolas.
Pode-se querer ganhar uma eleição no grito. Ou no revide.
E cada um pode ler o resultado disso com o fígado ou a razão.
Ou mais com o fígado que a razão.
Não dá, porém, para esconder os fatos: não há uma discussão de um projeto político em Alagoas e sim a pragmática sobrevivência política de Collor ou Teotonio Vilela Filho no Senado.
O que sobrará do conflito entre os dois?
Não seja o Palácio herdado por Arnon quem carregue esta resposta...