O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) é um tucano histórico. Influente e reconhecido na cúpula nacional do partido. Até já presidiu. Não tem pretensão alguma de mudar de camisa e isto é sabido de todos. 

 

Mas, tem que se preparar para uma conta alta que será apresentada ao Governo Federal pelos adversários daqui. A posição de Vilela hoje - em relação às eleições de 2014 - não é diferente do que foi no passado. 

 

Em 2010, foi candidato ao governo do Estado de Alagoas, com afagos generosos ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), sempre com o argumento da relação “republicana”. Mas dizia - somente quando perguntado! - que votava em José Serra (PSDB). 

 

Em outras palavras, foi tucano, mas nunca opositor. Logo, o que mais sobrou para a atual presidenta Dilma Rousseff (PT) naquelas eleições de 2010, foi palanque em Alagoas. Tantos palanques que ela por aqui nem veio durante o período eleitoral. Motivo? Uma estratégia que era a seguinte: não ir de encontro a popularidade de Lula. Do outro lado, o ex-presidente Lula e a então candidata Dilma Rousseff corresponderam.

 

Em tese, o candidato do PT na época era o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). Mas, só em tese! O atual senador Fernando Collor (PTB) - que saiu do pleito ainda no primeiro turno - também dizia “estar com Lula e Dilma”, mas a ausência do ex-presidente e da presidenta ajudou nos ventos que sopraram favoráveis às velas de Vilela. Talvez não tenham sido decisivos, mas ajudaram.

 

Estamos em 2014. E o que faz Vilela? Bem, continua sendo ele mesmo. Apoio à Dilma Rousseff com a roupagem de uma relação republicana. Apoio ao Lula no caso Rosemary e; segue sendo tucano, ainda que um tucano amigo, que senta com outros tucanos para falar da candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República. 

 

Se indagado - e só se indagado! - Vilela falará que vai votar em tucano e defenderá os nomes de Aécio Neves e Serra. Mas não deixará de reconhecer a mão “republicana” do PT. A diferença é que, em 2010, Vilela não tinha um Fernando Collor tão empenhado em imprensar o governador contra a parede lá em Brasília. 

 

Um Collor tão animado a desgastar a relação do tucano com a presidenta Dilma Rousseff, que detém popularidade. Seja com a Bolsa-Família, seja com qualquer outro assunto. Fernando Collor está - no linguajar popular - com a faca nos dentes. Afinal, calcula que o tucano seja seu principal adversário na disputa pela única cadeira do Senado Federal. 

 

Assim, o “tucano de estrela vermelha” vai receber a fatura pelo comportamento dúbio das mais variadas formas. Resta saber se vai reagir, e se for, como vai reagir. Mas vale lembrar: os ponteiros do relógio de Teotonio Vilela Filho andam numa velocidade diferente dos demais roscofes! O jogo é - de fato! - muito bruto!

 

Estou no twitter: @lulavilar