A administração é ruim, mas o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB)- em sete anos- abriu um guarda-chuva partidário que raríssimos caciques políticos no Brasil sequer conseguem imaginar ter.
 
Ele nunca fechou a porta para negociar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), mesmo quando aliados de Renan foram extraídos da era tucana por envolvimento nas fraudes da construtora Gautama. 
 
Renan usou o palanque para revidar. E Vilela usou a história da galinha.
 
No terreiro, a galinha cisca para dentro. Foi Renan quem cunhou a fábula. Vilela sabe disso desde quando era presidente nacional do PSDB.
 
No estouro do caso Rosemary, estava lá o governador alagoano ao lado do ex-presidente Lula. E não o fez escondido. Usou as redes sociais para mostrar a aproximação dele com um dos maiores líderes políticos da história brasileira.
 
Desafiou o PSDB? Que nada. Em novembro do ano passado, entregou uma medalha aos usineiros, ao Judiciário, a FHC e a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki- do PT.
 
Foi quando PT e PSDB, pela primeira vez, se elogiaram publicamente.
 
(Afinal, por ironia, a privataria não une petistas e tucanos? Ou não?).
 
O mesmo Téo Vilela que assina o manifesto pró-Lula é o mesmo quem janta com o presidenciável senador Aécio Neves (PSDB), depois de almoçar com a presidente Dilma, entregando-lhe flores na sobremesa.
 
E ainda recebe um elogio do ex-ministro José Dirceu, ao lado dos petistas. E Vilela sabendo apenas pelo Cada Minuto (estava em Brasília, com Aécio e Dilma).
 
Alguém duvida que o governador possa usar o mesmo expediente com o senador Fernando Collor (PTB)?
 
Ele ainda não teve a chance, mas em um evento público, Vilela estendeu a mão, em discurso, ao deputado federal João Lyra (PSD). E, sob risco de falência, Lyra teve autorização do governador para que os cofres da Secretaria da Fazenda suspendessem a cobrança do ICMS ao ex-inimigo.
 
Na posse do presidente da OAB, Thiago Bomfim, JL foi perguntado sobre a relação com Vilela. E usou uma frase do pai, Salvador Lyra:
 
"Meu querido, águas passadas não movem o engenho".
 
Com açúcar. E afeto.