O pouso do avião presidencial em Alagoas é a continuação de uma fábula que se repete há, exatos, 20 anos, na terceira terra mais pobre do Brasil.
 
Collor, Renan Calheiros e Teotonio Vilela Filho sobem ao palanque, ao lado de Dilma Rousseff, para inaugurar o Canal do Sertão.
 
Há 20 anos, os três- cada qual dos seus lados- tecem loas ao projeto. E, há 20 anos, o cenário político alagoano é o mesmo, com poucas alterações.
 
E são os três quem regem este cenário. E, em cada momento histórico, um teve mais influência que o outro. Ou mais vantagens que o outro.
 
Ou se trataram, sempre, como inimigos cordiais.
 
Na década de 70 e 80, Divaldo Suruagy e Guilherme Palmeira eram os protagonistas deste cenário.
 
Nos anos 90 e 2000, Collor, Renan e Teotonio habilmente mantêm relações com todos os presidentes da república, algo que se explica apenas pelas regras da acomodação política, esta ciência do bem e do mal.
 
Ou quase irracional.
 
Quem leva a sério esta arte sabe também vestir o disfarce.
 
E Collor disfarça alguns adjetivos a Teotonio, que nem pensa naquilo (2014).
 
E Renan Calheiros abriga todos em seu regaço, de volta ao seu aconchego.
 
Os três sobem no mesmo palaque pela última vez, antes das eleições de 2014. É difícil que Dilma volte a Alagoas após a inaguração do Canal.
 
Lula fez o mesmo em Delmiro Gouveia, ao dividir o palanque com os três. Após isso, nada mais. 
 
E o sertão vai serenar após as urnas, apesar da tensão política indicar uma prévia do Juízo Final.
 
E Collor, Renan e Téo voltam a pisar na mesma areia.
 
Porque quem dança à sombra deste mandacaru é uma raposa felpuda, com anos de experiência.